e-revista Brasil Energia 499

Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 41 Rubem Cesar Souza Rubem Cesar Souza é engenheiro elétrico, mestre em Engenharia Mecânica, doutor e pós-doutor em Planejamento de Sistemas Energéticos, professor na UFAM e Unicamp. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Do lixo produzido pelas renováveis ao lucro limpo Estima-se que mais de 2 milhões de sistemas fotovoltaicos já estejam em operação no país, muitos atingindo o fim de sua vida útil entre 2030 e 2040. Cada t de painéis descartados pode conter materiais recuperáveis com valor superior a US$ 500, cifra que se eleva consideravelmente no caso das baterias Coautor: Fernando V. Cerna A transição energética apresenta uma miríade de barreiras para avançar de forma justa e sustentável. Entretanto, é preciso estar atento às diversas oportunidades, pois estas podem contribuir decisivamente para que os objetivos associados à justiça e sustentabilidade sejam alcançados. Observa-se que as tecnologias associadas a energia limpa que avançam rapidamente na Amazônia é a fotovoltaica para geração de eletricidade e as baterias, principalmente as de íon-lítio, para armazenamento de energia, seja para sistemas de geração de eletricidade seja para mobilidade elétrica. Estudo publicado pelo Instituto Energia e Meio Ambiente (Iema), em 2023, que considerou os resíduos produzidos por sistemas fotovoltaicos off grid somente no âmbito do Programa Mais Luz para a Amazônia, estimou que serão produzidas 119.356 toneladas de resíduos provenientes dos módulos pelos sistemas de 180 kWh e 31.854 toneladas pelos sistemas de 45 kWh. Por sua vez, as baterias de íon-lítio serão responsáveis pela produção de 37.000 a 90.000 toneladas de resíduos. É oportuno registrar que as baterias de íon-lítio trazem potenciais riscos associados ao vazamento de metais pesados, à instabilidade térmica e à contaminação de solos e águas. Esses números podem crescer significativamente se forem considerados os projetos que estão sendo desenvolvidas no âmbito de programas capitaneados por agentes públicos nas diferentes esferas de poder, organizações não governamentais e instituições de pesquisa. No contexto mundial, estima-se que até 2050 mais de 78 milhões de toneladas de painéis FV alcançarão o fim de sua vida útil. Esses resíduos concentram materiais de alto valor estratégico, como silício, prata, cobre, lítio, níquel e cobalto, devido à sua relevância econômica, insubstituibilidade tecnológica e papel geopolítico nas cadeias industriais de energia, mobilidade e eletrônica. São insumos essenciais para a continuidade da própria transição energética, mas cuja produção primária está concentrada em poucos países, gerando riscos de dependência e instabilidade de suprimento. Diante desse cenário, a logística reversa e a reciclagem avançada não devem ser vistas apenas como soluções marginais, mas como vetores estruturantes de uma economia circular energética, capaz de combinar sustentabilidade ambiental, segurança de abastecimento e inovação industrial. Continue lendo esse artigo em: /energia/do-lixo-produzido-pelasrenovaveis-ao-lucro-limpo

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