Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 57 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer Não há contradições entre meio ambiente e indústria de petróleo Sem energia não temos desenvolvimento e consequentemente não haverá sustentabilidade ambiental possível Recentemente, recebi o Prêmio Crea de Meio Ambiente, o maior reconhecimento concedido pelo Conselho Profissional das áreas de Engenharia, Geociências e Agronomia. Além de me sentir honrado com essa distinção, que resulta de um processo criterioso de indicações, avaliações e votações em câmaras temáticas e passa por votação final em plenário, chamou-me a atenção o comentário em um grupo que questionava a suposta incoerência de um profissional do setor de petróleo receber tal reconhecimento. Durante a cerimônia, realizada de forma pública na Marina da Glória, fiz questão de quebrar o protocolo e propor uma reflexão sobre o falso paradigma de que a indústria do petróleo não estaria alinhada à proteção ambiental da sociedade contemporânea. Essa visão distorcida da realidade ambiental, sustentada por simplificações e preconceitos com a criação de estereótipos, merece reflexões, especialmente em 2025, ano que ficará marcado pelas discussões da COP 30 no Brasil e aquelas derivadas do licenciamento ambiental da atividade exploratória na costa do Amapá, na Margem Equatorial. O afastamento de um discurso técnico e equilibrado se potencializou nas redes sociais e derivou para o campo político, potencializado pelo debate sobre a nova Lei de Licenciamento Ambiental no Congresso Nacional, recentemente aprovada. A lei sofreu diversos vetos presidenciais, que ainda serão apreciados, ou até eventualmente ajustados por Medidas Provisórias, ou até passem por uma nova análise pelo Congresso Nacional. Ao longo de minha trajetória como engenheiro, acompanhei de perto a evolução dos processos de licenciamento ambiental, desde a Resolução Conama 001/86, e enfrentei licenciamentos que, embora marcados no início por embates locais, resultaram em grandes avanços econômicos e ambientais. Foi o caso do Poliduto Replan-Brasília (Osbra) e o Heliponto do Farol de São Tomé. Também participei de projetos que não prosperaram por razões ambientais, aliás corretamente impedidos por órgãos de licenciamento, como as Monobóias de Cabiúnas e as Cavernas de GLP no litoral paulista. A experiência mostrou que é possível uma conjugação virtuosa entre a atividade petrolífera e o meio ambiente. Um exemplo emblemático e que persiste até hoje é a produção, pela Petrobras, de óleo e gás em Urucu, no coração da Amazônia. Este empreendimento comprovou a capacidade de adaptação e aprendizado da indústria extrativa no Brasil, que tem evoluído muito em seu aprendizado. Inclusive diante de grandes incidentes, como foi o vazamento dos dutos na Baía de Guanabara, em janeiro de 2000, quando atuei diretamente como Secretário de Energia e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, na exigência pelo Governo Estadual de medidas mitigadoras de novos impactos. Continue lendo esse artigo em: /brasilenergia/nao-ha-contradicoes-entremeio-ambiente-e-industria-de-petroleo
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