e-revista Brasil Energia 499

8 Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 entrevista Renata Baruzzi A Petrobras vem trabalhando para estimular a indústria nacional, especialmente com os estaleiros. Como você avalia esse caminho desde que assumiu a direção e qual a resposta dos fornecedores? Minha primeira preocupação quando assumi a diretoria foi resgatar os fornecedores. A gente passou dez anos, principalmente na área de downstream, sem fazer grandes obras. A minha preocupação era que eu precisava ter fornecedores fortes. Mais do que fornecedores, parceiros, porque senão, não consigo colocar o plano estratégico de pé. A primeira coisa que fizemos foi conversar com eles. Fizemos eventos. Chamamos empresas de fora para fazer casamentos, para realmente ajudar no fortalecimento dessa indústria, principalmente nesse momento geopolítico tão complicado que a gente está vivendo. É muito mais seguro para nós ter os fornecedores próximos. A gente sabe que não é de um dia para o outro. A gente não consegue colocar todas as nossas encomendas nos fornecedores locais, mas é do nosso maior interesse que eles se fortaleçam para que voltem a ser como eram no passado. Esse é o nosso grande desafio. Obtiveram resultado? A gente já está com alguns resultados grandes interessantes, como o bid de SEAP (Sergipe Águas Profundas). A gente está com quatro empresas que vão fazer propostas casadas com empresas brasileiras, porque o conteúdo local de SEAP é alto, de 30% e 40% (cada FPSO). Isso deixou a gente muito satisfeito, por ver as empresas voltando a trabalhar com a Petrobras. Mas eu sempre falo: tem que ser num nível competitivo com o mundo. A gente quer os fornecedores, mas a gente quer que sejam competitivos com o resto do mundo. E a gente está conseguindo. O downstream era a minha maior preocupação, mas a gente teve sucesso na Rnest, no (Complexo de Energias) Boaventura e estamos esperando, para o fim do ano, na UFN-III, a participação de três ou quatro empresas em cada pacote. Isso mostra que o mercado está respondendo a nossa demanda. Mas também nós voltamos a conversar com as empresas. A gente conversou muito, porque eles não estavam vindo trabalhar com a gente, o que estava dificultando. Essa escuta ativa foi muito importante, porque a gente conseguiu adaptar alguns procedimentos. ConNo último bid, tivemos quatro empresas para Búzios 11. E a gente já viu o preço caindo.

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