e-revista Brasil Energia 499

Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 89 transformar a gestão e a operação de sistemas complexos. Essa é uma das conclusões do relatório Inovação no Setor de Utilities: Como a Inteligência Artificial e as Plataformas de Agentes estão Revolucionando a Indústria, lançado pela associação UTC América Latina, com a colaboração da Accenture. De acordo com o documento, as aplicações da IA agêntica, nessa primeira fase, envolvem desde atividades de manutenção preditiva e gestão de ativos até o ciclo comercial (leitura, faturamento e cobrança), além do atendimento ao cliente. Antes de avançar para as aplicações de casos reais na América Latina, é importante diferenciar a IA agêntica da IA tradicional, usada no dia a dia. Na conversa que teve com a Brasil Energia, Dymitr Wajsman, presidente da UTC América Latina, destacou que os agentes de IA são definidos como programas especialistas que utilizam a inteligência a partir de bancos de dados próprios, sendo treinados para resolver problemas específicos e complexos do segmento de energia. “A necessidade de agentes especializados surge porque a operação de um sistema elétrico requer procedimentos limitados ao conhecimento daquele segmento”, explica. Por essa razão, dados genéricos, comuns na IA tradicional, não são suficientes para resolver demandas do setor. Um exemplo prático é o aplicativo de IA usado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) para auxiliar os técnicos de plantão a decidirem rapidamente o que fazer em caso de falha em uma subestação. Em situações como essas, a IA faz uma varredura rápida do módulo de procedimentos operacionais adequado e ajuda na decisão do agente humano. Wajsman destaca que a IA atualmente está sendo utilizada maciçamente, mas em aplicações não-críticas, como faturamento e questões financeiras. “Embora a IA ajude enormemente a tomar decisões complexas e rápidas, sua aplicação em assuntos críticos ainda está em fase de experimentação e a decisão final ainda cabe ao ser humano. O conceito de agente de IA é, em si, muito recente, tendo no máximo um ano de intensa discussão”. IA para leitura automatizada A avaliação do presidente da UTC América Latina é confirmada pelo relatório recém-lançado, que mostra um uso regional concentrado na eficiência do ciclo comercial, na redução de perdas e na automação das operações de campo. Um exemplo é a cobrança inteligente, uma das aplicações onde os modelos preditivos de IA podem aumentar a eficiência da arrecadação e reduzir a inadimplência. Da mesma forma, esses mesmos modelos permitem a “clusterização” (agrupamento) de clientes e a criação de padrões de cobrança personalizadas. Um diferencial estratégico é que a solução habilita uma autonomia total para a área de negócio, permitindo que gestores configurem ou modifiquem os padrões de cobrança por perfil de risco, estágio de inadimplência ou objetivo. Detalhe: podem fazer isso sozinhos, eliminando a dependência da área de TI.

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