e-revista Brasil Energia 499

90 Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 tecnologia Para empresas com capacidade limitada de equipes em campo, os recursos de IA agêntica oferecem algoritmos inteligentes de priorização geográfica, indicando os melhores alvos com maior potencial de retorno e maximizando o impacto de cada visita. Outra frente de uso é a proteção de receita. Esta solução atua na visão fim- -a-fim do ciclo comercial, da leitura até a arrecadação, para identificar e corrigir quebras no fluxo financeiro. As quebras, nesse caso, podem envolver desde leituras sem retorno, valores implausíveis até falhas de cálculo. A operação de faturamento e impressão de fatura em campo é outro foco da IA agêntica, como demonstra o exemplo de uma distribuidora paulista citada no relatório. A empresa implementou uma plataforma de visão computacional para automação de inspeções em campo, que realiza o processamento diário de mais de 140 mil imagens. O modelo alcançou 88% de assertividade média na leitura automatizada de medidores e na classificação de instalações. Na América Latina, a IA também está concentrada no atendimento digital ao consumidor. Outro uso constante é no apoio à conformidade regulatória e na melhoria potencial dos indicadores de desempenho definidos por agências setoriais, especialmente nos processos de leitura, faturamento, atendimento e detecção de perdas. Vanguarda brasileira De acordo com Wajsman, o Brasil se destaca por apresentar soluções inovadoras em IA para o setor elétrico. Essa liderança é atribuída a diversos fatores, entre eles o tamanho do país e a presença de mais empresas elétricas do que nos países vizinhos. Outro diferencial é o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) coordenado pela Aneel, que exige a aplicação de 1% da receita líquida das empresas em iniciativas que melhorem a qualidade do setor. Ele também ressalta que as áreas técnicas das concessionárias, incluindo telecomunicação e automação, venceram as barreiras hierárquicas, ganhando acesso direto à alta gestão. “Isso ocorre porque a tecnologia demonstrou que melhora a qualidade do serviço e atende melhor o consumidor”, resume. “Mas a inovação tecnológica deve ser pragmática e focada em resultados”, completa. Para o especialista, o relatório é um documento conceitual que define o que é IA para utilities e oferece exemplos de como ela está sendo utilizada globalmente. No entanto, é genérico e precisa de desdobramentos práticos, os quais devem se concentrar futuramente em três pilares. O primeiro dele é a qualidade dos dados. Para os autores do documento, não é possível utilizar ferramentas de IA avançadas sem dados completos, extensos e corretos. Um dos primeiros trabalhos das concessionárias seQuem é fonte nesta matéria DYMITR WAJSMAN, presidente da UTC América Latina

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