114 Brasil Energia, nº 500, 11 de dezembro de 2025 Bruna de Souza Moraes é pesquisadora e coordenadora do Nipe/Unicamp, engenheira de Alimentos, mestre e doutora em Ciências da Engenharia. Bruna Moraes O primeiro Relatório Global sobre Metano, produzido pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), em parceria com a Climate and Clean Air Coalition (CCAC), foi lançado na conferência e deu mais visibilidade global ao metano, visto como protagonista de soluções estratégicas para mitigação das emissões. Mais de 80% da redução global de metano até 2030 pode vir de soluções de baixo custo. E o tratamento de resíduos orgânicos é apontado como uma das ações mais rápidas e efetivas. O setor de resíduos responde por 18% do potencial de mitigação, atrás apenas da energia (72%) e à frente da agricultura (10%). Para colocar a teoria em prática, a organização da COP30, por meio do Plano de Sustentabilidade, incorporou um modelo de gestão de resíduos alinhado à política nacional, contemplando separação, reciclagem, compostagem e destinação adequada para recicláveis, orgânicos e rejeitos. A meta do plano foi de evitar, durante a COP30, o envio de pelo menos 125 toneladas de resíduos a aterros, sendo um modelo-piloto de gestão sustentável integrada a ações climáticas. Outro resultado concreto da COP30 foi a criação do Clean Air Task Force (CATF) em parceria com o governo brasileiro e com a organização Carbon Mapper para mapear e mitigar emissões de metano do setor de resíduos. Esta iniciativa recorrerá a novas tecnologias de satélite e sensoriamento remoto para localizar aterros e lixões que mais emitem metano e fornecer informações práticas a operadores e governos locais. Vale ressaltar que o descarte inadequado de resíduos está entre as maiores fontes de emissões de metano no Brasil (15%), vindas principalmente de aterros sanitários mal operados e lixões. O lançamento do Plano Nacional de Redução e Reciclagem de Resíduos Orgânicos Urbanos (Planaro), pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), também foi um desdobramento importante da COP30. O plano prevê investimentos de R$ 12 bilhões em infraestrutura, equipamentos e ativos de longo prazo para viabilizar a compostagem, biodigestão e destinação adequada de resíduos orgânicos, além de fortalecer o papel das cooperativas de catadores. Neste quesito, a COP30 deu notabilidade ao papel central dos catadores. O lançamento de um sistema público de compostagem em Belém, operado por catadores, demonstrou como a economia circular pode ser aliada da justiça social e da inclusão, além de ter deixado um legado concreto de infraestrutura de compostagem para a cidade. Em termos globais, a COP30 anunciou o No Organic Waste (NOW) Plan to Accelerate Solutions, apoiado pelo Global Methane Hub, que estabelece reduzir em 30% as emissões de metano provenientes de resíduos orgânicos até 2030, além de transformar o descarte de alimentos em ação climática, nutrição e trabalho digno. Resíduos urbanos no Brasil e seu tratamento A COP30, realizada estrategicamente em Belém, colocou o Brasil no centro das negociações do clima e o tema resíduos urbanos entrou na agenda climática do país de forma inédita. Continue lendo esse artigo em: energia/residuos-urbanos-no-brasildesafios-historicos-e-perspectivas
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