e-revista Brasil Energia 500

70 Brasil Energia, nº 500, 11 de dezembro de 2025 bioenergia Empreendedores industriais, rizicultores e a Cogen Sul reivindicam a inclusão da geração termelétrica de energia a partir da queima da casca de arroz nos próximos leilões de energia. Alegam que contratos maiores, que viabilizem projetos de geração com maior capacidade instalada, poderão permitir o aproveitamento, de forma virtuosa, do potencial de uma fonte limpa e eficiente de energia que permanece intocado nas lavouras de arroz. E um passivo ambiental para a indústria de beneficiamento. Além de solucionar o passivo ambiental causado pela deposição irregular da casca, termelétricas à base dos resíduos do cultivo e beneficiamento do arroz podem ser competitivas porque há grande disponibilidade de matéria-prima nas regiões de rizicultura, o preço cobrado pelo resíduo casca é relativamente baixo e a queima tem elevada eficiência. Em tempos de busca por fontes firmes de energia, a geração térmica a partir da queima da casca oferece tanto a possibilidade de gerar energia na base, quanto de operar somente no horário de ponta. “Para o Rio Grande do Sul, que lidera o ranking da produção de arroz no país, a expansão da geração térmica a partir da casca de arroz contribuiria para proporcionar segurança energética ao estado, que importa 30% da energia que consome”, justifica o diretor da Cogen Sul, Luíz Leão. Dados da associação indicam que existem atualmente no país 14 usinas térmicas à base da casca do arroz, somando capacidade instalada de 68,9 MW. O Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de arroz, conta com nove desses empreendimentos, com 48,5 MW de capacidade. A Cogen Sul estima que exista um potencial para o desenvolvimento de projetos com capacidade instalada conjunta de 200 MW somente em terras gaúchas. Historicamente, a casca de arroz sempre representou uma dor de cabeça para os produtores do cereal no Rio Grande do Sul. A casca de arroz é um material de difícil decomposição. Quando a deposição desses resíduos é feita de forma irregular, eles permanecessem expostos por longo tempo nas áreas, provocando a emissão de gás metano. Leão lembra que, devido à falta de locais para a deposição da casca, algumas safras chegaram a ser interrompidas no Rio Grande do Sul. Foi justamente para pôr fim a esse passivo ambiental que surgiram as primeiras térmicas, com capacidade de geração de 1 a 2 MW. Com o passar do tempo, com a evolução da tecnologia para a queima da casca, os empreendedores passaram a olhar para a queima da casca como um negócio a parte. Nesse meio tempo, a eficiência do processo de queima melhorou de forma acentuada. Nos primeiros anos dessa atividade, eram consumidas entre 4 e 5 toneladas para gerar 1 MWh. Atualmente, as usinas consomem 1,2 tonelada para cada MWh. Segundo a Cogen Sul, as usinas térmicas que utilizam a casca de arroz apresentam um fator de capacidade de 85% a 90% da potência instalada. “A casca é um excelente combustível. Seu poder calorífico é igual ao do carvão

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=