e-revista Brasil Energia 501

10 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 entrevista Cláudio Schlosser O plano de negócios 2026-2030 prevê cerca de US$ 4 bilhões em investimentos em logística e comercialização, que inclui ampliação da frota, da infraestrutura e expansão da presença no Centro-Oeste. Quais são as prioridades? O planejamento estratégico mantém os investimentos prioritários na produção de óleo e gás, mas tem uma característica importante: o petróleo é monetizado através dos derivados. Por isso, o planejamento vê a integração com o refino e a logística para chegar até o consumidor final com visão integrada. Nossa meta é permanecer como fornecedor de 31% da energia consumida pela sociedade brasileira, tanto no horizonte de 2030 quanto em 2050. Essa energia será de natureza fóssil, mas também temos foco na transição energética, com investimentos contundentes em renováveis. Hoje somos importadores líquidos de diesel e querosene de aviação, então existe esse espaço para ampliação do refino. O mercado brasileiro é o que monetiza melhor e temos condição de entregar para a sociedade o mais competitivo em preço e disponibilidade. O planejamento amplia o refino, mas nós queremos acessar onde o mercado mais cresce. Quanto da expansão para o Centro-Oeste é crucial nessa estratégia? O Centro-Oeste é onde temos o maior crescimento do mercado. Nos últimos quatro, cinco anos, ele cresce o dobro da média nacional em consumo de diesel, que é o carro-chefe deda demanda de derivados no Brasil. Temos também a região do Matopiba com crescimento focado no agronegócio. Nossa estratégia é avançar para esses mercados, onde já estamos investindo e agora estamos avançando nosso ponto de entrega. Já abrimos bases em Rondonópolis, Sinop, Rio Verde, Campo Grande. Quando abrimos uma base, a capacidade é rapidamente absorvida. A infraestrutura praticamente nasce vendida. A logística é um fator extremamente competitivo para a Petrobras. Como está o projeto do duto para atender o Centro-Oeste? É importante contextualizar: o último duto de derivados construído no Brasil foi o Osbra, em 1996. Continuamos investindo fortemente no Osbra ao longo do horizonte do plano, com ampliações de bombeamento e tancagem, mas toda vez que investimos, chegamos ao limite pela demanda que o mercado tem exigido nessa região. Depois de praticamente 30 anos, colocaríamos um novo duto provavelmente até Rondonópolis ou Sinop, chegando a 2 mil quilômetros. Já está na Fase 1 e vamos à Fase 2 do projeto. Você tem o detalhamento, o levantamento do traçado, um escopo conceitual bem definido para determinar quanto será o custo e as avaliações econômicas. Depois vem a Fase 3, de detalhamento, e a Fase 4, de execução. Temos previsão de início da operação um pouco à frente de 2030. Discutimos também um faseamento, com etapas intermediárias. Há uma atratividade muito interessante até Campo Grande, que passa por diversas cidades do interior de São Paulo com demanda muito grande. Sairia de Paulínia a Campo Grande, interligando depois à região de Rondonópolis e Sinop. O traçado seguiria a faixa do Gasbol? Exato, essa é uma das grandes vantagens, especialmente do ponto de vista de

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