e-revista Brasil Energia 501

Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 17 A expectativa do setor de biodiesel em relação ao próximo Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) é de que a fonte consolide, pela primeira vez, um espaço estrutural na geração termelétrica brasileira sob contratos de longo prazo. A avaliação é de Daniel Furlan, diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que vê a participação do biocombustível no certame como desdobramento natural da estratégia brasileira de substituição gradual dos combustíveis fósseis, agora estendida de forma mais explícita ao setor elétrico. “Nós encaramos isso como um processo natural. O biodiesel hoje é um produto com um grau de compatibilidade elevadíssimo com o diesel e o Brasil vem há décadas promovendo a substituição, agora também de forma mais explícita no setor elétrico”, comenta. O LRCap prevê a contratação de potência a partir de diferentes datas de suprimento, conforme o produto, a partir do segundo semestre deste ano. Mas no caso específico das termelétricas a biodiesel, os contratos têm início a partir de 2030 e envolvem usinas existentes, que passam a substituir o combustível fóssil pelo biocombustível, sem ou com adaptação futura, a depender do projeto. A disputa se dará no segundo dia do leilão, em 20 de março, data reservada aos combustíveis líquidos: óleo combustível, diesel e biodiesel. A Portaria Normativa MME nº 119/2025 estabelece contratos de 10 anos para o biodiesel e de três anos para as usinas a óleo, ambos restritos a empreendimentos existentes. No processo de cadastramento do LRCap, essas fontes reuniram 38 projetos, somando 5.890 MW de potência cadastrada. Desse total, o biocombustível teve leve vantagem: 20 projetos de usinas a biodiesel responderam por 3.047 MW, enquanto 18 projetos movidos a óleo de origem fóssil (diesel e óleo combustível) totalizaram 2.843 MW. Termelétrica de Suape II, a óleo combustível, poderá migrar para biodiesel B100 caso seja vencedora do leilão

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