e-revista Brasil Energia 501

18 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 termelétricas A presença do biodiesel no LRCap, é bom ressaltar, marca uma inflexão regulatória relevante. A fonte não foi contemplada no primeiro Leilão de Reserva de Capacidade, de 2021, e tampouco integrou o desenho final do LRCap 2025, que acabou não sendo realizado. No redesenho regulatório posterior, já no âmbito da discussão do certame que será realizado dias 18 e 20 de março, o biodiesel chegou ainda a ficar fora da proposta inicial do certame, sob o argumento de incertezas quanto à garantia de suprimento contínuo ao longo do ano, requisito associado aos produtos de reserva de capacidade. Foi reincluído apenas na versão final das diretrizes, depois de manifestações de agentes do setor. Concentração Embora a EPE não divulgue a lista nominal dos empreendimentos cadastrados, a análise dos polos com capacidade de escoamento liberada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indica que a maior parte dos projetos a biodiesel deve se concentrar no Norte e no Nordeste, regiões com histórico de usinas a óleo passíveis de conversão e maior necessidade de potência despachável. Também há expectativa de participação pontual no Sul, especialmente em Uruguaiana, enquanto o Sudeste tende a ter presença mais limitada. Para Furlan, da Abiove, porém, restrições regionais não se sustentarão à luz da evolução do setor. Isso porque, para ele, a entrada do biodiesel nos leilões de reserva reflete sua alta compatibilidade técnica com o parque termelétrico existente, o que pode pavimentar o terreno para a fonte se expandir em mais leilões futuros. Segundo ele, essa intercambialidade permite o aproveitamento de ativos já instalados, sem necessidade de conversões tecnológicas relevantes, novas máquinas ou adaptações estruturais em geradores. Esse ponto é particularmente relevante no desenho do leilão, já que boa parte dos projetos cadastrados com biodiesel deve envolver usinas originalmente concebidas para operar com diesel, que passam a utilizar biodiesel total ou parcial. Além disso, o Brasil dispõe de ampla base de matérias-primas e crescente diversificação, o que torna a fonte competitiva para garantir potência em todo o país. A soja responde hoje por cerca de 70% do biodiesel produzido, mas é seguida por gorduras animais, óleos residuais, algodão e palma. Furlan chama atenção ainda para a expansão da canola no Rio Grande do Sul, cultura de inverno com teor de óleo significativamente superior ao da soja, além do avanço no aproveitamento de resíduos. Por fim, a possibilidade de armazenagem dos grãos por mais de 12 meses assegura oferta contínua. Suape Apesar do sigilo da EPE com os projetos cadastrados, um caso de térmica a biodiesel que quer ser viabilizada é a Energética Suape II, em Pernambuco. Quem é fonte nesta matéria DANIEL FURLAN, diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove)

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=