e-revista Brasil Energia 501

20 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 termelétricas Segundo Furlan, esses problemas decorrem da falta de boas práticas de armazenamento e manutenção e não a limitações inerentes ao biodiesel. “Todo combustível tem um ciclo. Diesel também absorve água, também degrada. Se não houver drenagem e limpeza de tanque, o problema aparece”, observa. O diretor da Abiove destaca que o mercado tem respondido a essas questões com aditivação e aprimoramento de formulações, inclusive no diesel. “Não houve nenhuma mudança estrutural no biodiesel. O que houve foi desenvolvimento tecnológico para lidar com condições climáticas variadas, algo essencial em um país como o Brasil”, afirma. Embora reconheça que o biodiesel tem poder calorífico inferior ao do diesel, Furlan avalia que a pequena diferença não compromete sua competitividade para a reserva de capacidade. Em contrapartida, os ganhos ambientais são significativos: considerando todo o ciclo de vida, o biodiesel reduz em média 80% das emissões de gases de efeito estufa e ao menos 50% de material particulado em comparação ao diesel. Os preços do biodiesel também são superiores ao do óleo combustível, mas a expectativa é de que o custo de geração da UTE a biodiesel não seja muito superior ao atual, em função dos investimentos realizados na modernização dos equipamentos. No caso da Suape II, segundo Faustino, nos últimos cinco anos foram investidos cerca de R$ 150 milhões. Suprimento A questão do suprimento, central nas decisões regulatórias anteriores, é tratada pela Abiove como superada. O setor opera atualmente com 40% de ociosidade, o que permite atender misturas B20 sem restrições. Para 2026, a ser mantida a mistura de 15% no diesel (B15), a demanda projetada é de 10,5 milhões de m3. Já com a elevação para B16 a partir de março (caso aprovado pelo CNPE) o volume aumenta para 11 milhões de m3/ano, dentro da capacidade adicional disponível superior a 7 milhões de m3/ano. Na avaliação da Abiove, a participação do biodiesel no LRCAP 2026 inaugura uma frente estratégica de diversificação de mercado para o setor, hoje concentrado no transporte rodoviário. A geração elétrica, ao lado dos usos marítimo, hidroviário, ferroviário e voluntário de B100, amplia o horizonte de demanda e reforça o papel do biodiesel na transição energética. O potencial técnico é expressivo. Em dezembro, segundo a base Siga/Aneel, o Brasil contava com 2.158 UTEs em operação movidas a derivados de petróleo que, em tese, poderiam migrar total ou parcialmente para biodiesel — sendo 2.116 a diesel e 42 a óleo combustível — o que representa cerca de 6,62 GW de potência instalada. n Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Termelétricas e Segurança Energética”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de

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