e-revista Brasil Energia 501

Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 21 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer Geopolítica do petróleo e ética empresarial Algumas ONGs de atuação internacional muitas vezes agem de forma distinta em outras regiões onde seus potenciais financiadores exploram petróleo Uma das questões mais estarrecedoras que li poucos meses atrás foi uma entrevista de um ex- -Presidente da Petrobras se vangloriando de, em sua gestão, ter acabado com a Universidade Corporativa (Universidade Petrobras), em especial por ela ministrar cursos de “Geopolítica do Petróleo”. Minha indignação se incorporava a uma visão própria de um funcionário de carreira, pela constatação de que tal medida foi muito além da inexperiência do executivo na área, e pela visão míope que permeava em alguns que atuam no setor de energia, que acreditavam que essa questão não estava mais presente em um mundo globalizado, onde o petróleo seria uma mera commodity. As restrições da oferta de gás da Rússia para países da Europa, o acordo tarifário dos Estados Unidos com a União Europeia impondo a compra de energéticos e, em especial, a recente intervenção americana na Venezuela com a “extração” de um presidente, despertaram muitos para o fato de como a indústria da energia, especialmente a do petróleo, está fortemente inserida no processo geopolítico internacional e que, portanto, merece toda atenção em sua dinâmica. A leitura desse movimento deixou de ser subliminar e passou a ser clara e objetiva, pois as razões que justificaram a intervenção americana foram externalizadas de maneira bastante direta e colocaram em evidência o caráter estratégico e comercial dessa operação, inclusive destacando o fechamento de reservas potenciais para países como a China. Além disso, a atual crise interna política no Irã e o potencial enfraquecimento da Opep trarão novos ingredientes nesse novo e dinâmico movimento. Nesse novo cenário, portanto, a discussão no Brasil sobre se deveríamos ou não desenvolver a exploração da Margem Equatorial brasileira ficou bastante superada diante desses fatos recentes e de movimentos abruptos, trazendo, consequentemente, a derrocada de alguns discursos de formadores de opinião e de algumas ONGs de atuação internacional. Aliás tais organizações, muitas vezes, agem de forma distinta em outras regiões onde seus potenciais financiadores exploram petróleo, tornando evidente um xadrez geopolítico que não pode ser ignorado, tanto do ponto de vista da estratégia nacional quanto da lógica empresarial. A posição brasileira como país de democracia estável poderá ser percebida e cotejada não apenas diante dos riscos dessas intervenções, associadas a elevados custos de desenvolvimento da produção, mas também pelas oportunidades que levaram empresas a se posicionarem de forma positiva, de maneira isolada ou em parceria com grupos chineses e até com a Petrobras, no último leilão da ANP, no qual foram ofertadas e adquiridas áreas da Margem Equatorial. Por sua vez, muitos conglomerados empresariais internacionais já se posicionam com bastante cautela em relação a investimentos na Venezuela, como o relatado pela mídia da manifestação em reunião, com o presidente dos EUA, pelo CEO da Exxon Mobil, Darren Wood. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/a-geopolitica-dopetroleo-e-a-etica-empresarial

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=