Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 47 O coração do projeto é uma nova e complexa estação de tratamento de efluentes (ETE), com investimentos superiores a R$ 120 milhões, podendo alcançar cerca de R$ 130 milhões ao final da implantação. Em uma etapa posterior final da estação, que tratará efluentes de 14 fábricas do complexo da Potencial, uma lagoa anaeróbica biodigestora, com cerca de 17 mil m2, degradará aproximadamente 80% da carga orgânica, sem uso intensivo de produtos químicos, e, “como bônus”, viabilizará a geração contínua de biogás, estimada em cerca de 24 mil m3/dia. Esse volume de biogás será integralmente aproveitado no sistema energético do complexo, alimentando uma caldeira de alta pressão, projetada para operar de forma flexível com biogás, cavaco de madeira e gás natural. Embora o biogás represente cerca de 15% da demanda total da caldeira em termos energéticos, sua contribuição deve ser estratégica para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e os custos operacionais. “O biogás gerado no tratamento de efluentes será totalmente aproveitado na cogeração de eletricidade, integrando saneamento e energia no mesmo sistema”, disse Robson Antunes, diretor de operações do grupo Potencial. A caldeira, do tipo leito fluidizado, tem capacidade para produzir cerca de 85 t/h de vapor. O vapor de alta pressão alimentará um sistema de cogeração equipado com turbogerador, com turbina TGM e gerador elétrico da WEG, com potência instalada de 12 MW. Parte do vapor expandido retorna ao processo industrial em baixa pressão, enquanto a água condensada é reaproveitada no próprio sistema, fechando o ciclo hídrico e energético do complexo. Na fase inicial, o consumo interno de eletricidade deve ficar em torno de 8 MW, permitindo um excedente próximo de 4 MW, passível de comercialização. Até 2028, com todas as novas plantas em operação, 100% da energia será consumida internamente. O projeto energético está diretamente ligado ao plano de expansão industrial do grupo, que inclui novas fábricas de biodiesel, glicerina, glicerose e pré-tratamento, além da entrada em operação de uma esmagadora de soja a partir de 2026. A produção de biodiesel, hoje em torno de 3,2 milhões de l/dia, deve alcançar 4 milhões de litros diários até o fim de 2026. Em etapas posteriores, a partir de 2028, estão previstas ainda plantas de etanol de milho, em três fases sucessivas, cada uma delas com sistemas próprios de cogeração, o que vai elevar a capacidade instalada total do complexo para até 48 MW. Estudos avaliam, inclusive, o aproveitamento de resíduos dessas plantas para geração adicional de biogás. Em aterro Se no ambiente agroindustrial o biogás se consolida como instrumento de eficiência e autoprodução, no setor de Quem é fonte nesta matéria ROBSON ANTUNES, diretor de operações do grupo Potencial RICARDO MINORU, diretor-presidente da Urbam
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