e-revista Brasil Energia 501

48 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 gás resíduos urbanos ele também avança como alternativa concreta de geração distribuída e mitigação de emissões. Em São José dos Campos, a Urbam — empresa pública municipal responsável pela gestão de resíduos sólidos e serviços urbanos - colocou em operação, em março de 2024, a chamada Unidade Geradora de Energia Elétrica a partir do Biogás (UGEEB), com 1,6 MW de capacidade instalada, baseada no aproveitamento do metano gerado no aterro sanitário municipal. O projeto foi estruturado com um objetivo duplo: reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas ao metano e diminuir os gastos da administração municipal com energia elétrica. A usina atende cerca de 30% do consumo dos prédios públicos do município, como escolas, hospitais e unidades administrativas, com geração distribuída compartilhada e compensação de créditos. “Transformamos um problema ambiental em uma solução energética, com impacto direto na conta de energia do município”, disse o diretor-presidente da Urbam, Ricardo Minoru. A UGEEB foi dimensionada a partir de estudos que indicam vazão média de biogás de aproximadamente 1.000 Nm3/h no aterro. O sistema de captação conta com rede de drenos distribuídos pelas células, conduzindo o gás até a central de tratamento, onde passa por desumidificação e remoção de contaminantes como o sulfeto de hidrogênio, garantindo estabilidade aos motogeradores. O controle operacional é diário, com medições em cada poço para ajuste de vazão, pressão e teor de metano. Do ponto de vista tecnológico, a opção foi por um arranjo modular, com seis motogeradores de 260 kW cada, equipados com motores Scania OC13 e alternadores WEG. Segundo Minoru, a configuração aumenta a flexibilidade, permite geração contínua durante manutenções e reduz riscos operacionais. A conexão à rede exigiu estudo de acesso junto à concessionária local (EDP), além de sistemas de proteção, medição bidirecional e supervisão em conformidade com as normas da Aneel. O investimento total foi de cerca de R$ 11 milhões, abrangendo captação e tratamento do biogás, geração elétrica e infraestrutura de conexão. A economia mensal supera R$ 214 mil, com horizonte de abatimento das faturas estimado em até 60 meses. A vida útil do aterro como fonte de biogás é projetada entre 10 e 15 anos, com possibilidade de ajustes conforme a evolução da curva de produção do gás. Os dois projetos, na Potencial e na Urbam, embora inseridos em realidades distintas, convergem em um ponto central: demonstram que o biogás deixou de ser uma solução pontual para se afirmar como ativo energético estratégico. No agroindustrial, ele se integra à cogeração e à autoprodução em larga escala. Nos aterros, viabiliza geração distribuída, redução de emissões e economia de recursos públicos. Juntos, esses casos reforçam o papel do biogás como um caminho promissor para ampliar a participação de fontes renováveis, descentralizadas e eficientes na matriz elétrica brasileira. n

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