e-revista Brasil Energia 501

84 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 entrevista João Henrique Nascimento la ANP, da WACC, taxa de atratividade para o transporte de gás. Com a entrada em operação da Rota 3 e projetos como Raia e SEAP no horizonte, a expectativa é de expansão de 30% na oferta de gás até 2030, o que deve pressionar os preços para baixo. Nascimento também aborda a atuação do PPI nos leilões da PPSA, que em 2024 e 2025 geraram R$ 53 bilhões em receitas patrimoniais, os desafios do licenciamento ambiental em novas fronteiras como a Margem Equatorial, e o papel dos marcos regulatórios para atrair investimentos em energias renováveis. Confira a seguir os principais trechos da entrevista. O PPI completa 10 anos em 2026, com 200 projetos concluídos e mais de 500 qualificados. Como o sr resumiria os principais aprendizados desses 10 anos, especialmente no setor de petróleo, gás e energia? Recentemente recebemos, em eventos no PPI, grandes nomes como Mauricio Portugal Ribeiro [advogado especialista em PPP), que disse que o Brasil vive hoje um dos melhores momentos no setor de infraestrutura e no aprimoramento da prática de PPPs. Ele atribui isso a um longo histórico acumulado, no qual o PPI, desde 2016, tem papel fundamental – um trabalho que atravessa diferentes governos e que lida com soluções público-privadas para entregar infraestrutura. No setor de energia, de 2016 em diante encontramos inovações importantes: oferta permanente, campos marginais, o leilão do excedente da cessão onerosa – que foi talvez o maior da história, com o excedente do campo de Búzios gerando em torno de R$ 75 bilhões. O PPI sempre apoiou isso, dando governança e transparência, qualificando projetos, ajudando a eliminar gargalos, fazendo articulação entre diversos atores. Hoje temos uma nova fase mais focada em oferta permanente, com oportunidades tanto na concessão quanto no pré-sal. As novas fronteiras estão na concessão: a margem equatorial, onde no ano passado 19 blocos foram vendidos, e a bacia de Pelotas, que tem conexão com a Namíbia. Vocês conseguiram trazer os leilões da PPSA para dentro da carteira do PPI. Como foi esse processo? O secretário especial do PPI, Marcus Cavalcanti, trouxe uma inovação importante: não podemos só ir lá bater martelo, temos que atuar nesses projetos para viabilizá-los no pós-leilão. Consideramos essa frente porque o leilão da PPSA é o desdobramento do leilão de partilha, que são qualificados pelo PPI. No quarto leilão, em 2024, o resultado de receita estimada foi R$ 17 bilhões. No quinto leilão, R$ 28 bilhões. E no final do ano, o leilão das áreas não contratadas garantiu em torno de R$ 8 bilhões. É importante esclarecer: somos um programa de parceria de investimento e sempre divulgamos os investimentos planejados. Não falamos muito do bônus de assinatura porque é receita patrimonial, não investimento. Mas vale lembrar o impacto total. Os leilões da PPSA hoje têm talvez o maior impacto econômico no setor de óleo e gás, porque geram receita com impacto imediato. Qual o processo para que um projeto seja qualificado? O PPI tem um conselho interministerial, presidido pelo ministro da Casa Civil,

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