e-revista Brasil Energia 501

86 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 entrevista João Henrique Nascimento do que chega ao consumidor, depois da distribuição, a U$ 14, 15. Tem toda uma agenda regulatória que está andando, é o principal foco dos resultados do Gás para Empregar. No segundo semestre do ano passado foram oito resoluções associadas a gás, entre elas a que institui o Plano Integrado de Gasodutos, de responsabilidade da EPE. Uma das medidas é trazer mais força normativa para regulação do elo de escoamento, associado aos planos de desenvolvimento aprovados pela ANP, que pode exigir mais entrega de gás e menos reinjeção. Quais os resultados práticos dessa agenda regulatória? No final do ano passado, no elo de transporte, foi definida a WACC, a taxa de atratividade usada para cálculo da tarifa de transporte. Essa definição viabilizou a estação de compressão de Japeri (Ecomp), da NTS. Uma resolução destravou um investimento de R$ 1,2 bilhão – o projeto todo da NTS no PAC é de R$ 12 bilhões. A regulação sendo definida vai atraindo os investimentos. Ampliar a malha de transporte de gás também é essencial. Como atrair investimentos para isso? Uma das atribuições do PPI no Gás para Empregar era identificar quais são os projetos para ampliar a infraestrutura de gás natural, a nossa malha é reduzida. E aí foi criado o plano integrado de gasodutos, gerido pela EPE. A ANP, com esse conjunto de projetos, vai ter capacidade de ofertar a infraestrutura em processos competitivos públicos, como prevê o decreto. Esses projetos não são concessão, são autorização, mas pode haver competição. Temos também as reservas de gás não convencional no país, mas o fracking ainda enfrenta obstáculos. Depois da audiência pública no STJ sobre o tema, o sr espera que a tecnologia seja aprovada? É preciso lembrar que hoje temos quatro grandes blocos de oferta de gás: da Bolívia, a produção terrestre, a produção marítima do pré-sal e o GNL importado, que já é fração considerável - temos terminais em Barcarena, Sergipe, Porto do Açu e outros. Essa oferta, se não temos alternativas para produção de gás nacional, vira reserva de mercado para o importador. A grande maioria dessa oferta importada vem ou do Texas (fracking) ou de Vaca Muerta (fracking), e o resto vem da Opep. Se não tivermos a possibilidade de desenvolver soluções para fraturamento hidráulico não convencional com segurança e sustentabilidade, vamos abrir reserva de mercado para produtores internacionais. Vale lembrar que em 2014 a Opep iniciou uma guerra de preços para acabar com o fracking nos Estados Unidos – e não só não matou como fortaleceu. Se ficarmos proibindo, vamos criar reserva de mercado, além de perder emprego e investimento. n Continue lendo a entrevista em: /brasilenergia/entrevistas/ppi-defende-fracking-e-aposta-em-expansao-de-30-na-oferta-de-gas

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