106 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 eólica Também deve ser entregue relatório contendo diagnóstico e plano de ação interministerial, com foco no desenho de políticas públicas para a promoção de investimentos e desenvolvimento de projetos eólicos offshore no Brasil. Por fim, deverão ser identificados as áreas para oferta, obtidos pela Metodologia de Seleção de Áreas para Oferta; a operacionalização do Portal PUG Offshore pela instituição designada; e a emissão de Portaria de Diretrizes pelo MME para início das ofertas permanente e planejada. Para a Coppe/UFRJ, as diretrizes da resolução que regulamenta a Lei 15.097/2025 representa um passo essencial para viabilizar os futuros leilões. As diretrizes que estabelecem critérios para a seleção das áreas, condições de participação das empresas e parâmetros para a exploração dos projetos abrem caminho para a elaboração dos editais e o lançamento dos leilões. O centro de pesquisa tem participado desse processo desde suas etapas preparatórias, contribuindo com estudos técnicos que apoiam a formulação dessas diretrizes. Em março, os professores Milad Shadman e Amaro Pereira, dos Programas de Engenharia Oceânica e de Planejamento Energético, respectivamente, estiveram em Brasília para apresentar o estudo “Apoio ao processo de seleção e concessão de área para eólica offshore no Brasil”, durante o Workshop Brasil– Reino Unido de Eólica Offshore. Com base na experiência do Reino Unido, referência global no setor, o estudo analisa como adaptar modelos internacionais à realidade brasileira, oferecendo subsídios técnicos para o planejamento e a tomada de decisão governamental que agora se refletem nas diretrizes aprovadas. Entre os principais resultados, destaca-se a estimativa de um potencial técnico de aproximadamente 98 GW, equivalente a cerca de sete usinas de Itaipu Binacional operando a plena capacidade e a quase metade da capacidade instalada atual do Brasil. Essa estimativa considera áreas delimitadas entre regiões com até 50 metros de profundidade (linha batimétrica) e distâncias de até 30 quilômetros da costa. O estudo também aborda aspectos técnicos essenciais, como os efeitos de esteira entre turbinas e entre os parques (wake effects, fenômeno onde turbinas eólicas que estão na frente afetam o fluxo de vento que chega às turbinas de trás), fundamentais para otimizar a disposição dos parques e maximizar sua eficiência, além de questões regulatórias e modelos de comercialização de energia. Apesar dos desafios logísticos - como a necessidade de adaptação de portos e estaleiros -, os pesquisadores destacam que o Brasil já possui uma base industrial relevante, que pode servir de base para o desenvolvimento da cadeia produtiva. Eles também ressaltam a importância de um planejamento cuidadoso, que considere o uso compartilhado do mar e evite conflitos com atividades como pesca, navegação, turismo e exploração de óleo e gás.
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