Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 135 Rosatom defende novas usinas para sustentar demanda associação contribuiu ativamente para o texto, que deverá dar suporte e previsibilidade legal para o avanço das fontes renováveis no estado. O mercado global de energia vive um momento de inflexão, impulsionado pela urgência em atingir metas climáticas e pela demanda elétrica massiva exigida por Data Centers e pela Inteligência Artificial. Durante o IBEM 2026, Ivan Dybov, diretor da Rosatom América Latina, traçou um panorama da primeira década do escritório da estatal russa no Brasil, destacando o fornecimento de isótopos para medicina e o desenvolvimento do ciclo local do combustível nuclear. Na entrevista, Dybov ressaltou que a fonte nuclear é a solução definitiva para garantir soberania energética e descarbonização simultâneas. O executivo também explicou por que o Brasil deve priorizar grandes reatores em vez de modelos modulares menores (SMRs) e celebrou a maior clareza trazida pelas novas movimentações legislativas em Brasília. Principais trechos da entrevista: • 10 anos de operação e materiais críticos: Além da cooperação em medicina nuclear e do contrato assinado para beneficiamento de urânio brasileiro, a Rosatom acaba de criar uma empresa com um parceiro local focada na exploração de materiais críticos; • Oportunidade com Inteligência Artificial: A matriz nuclear vive uma janela de oportunidade em todo o mundo por ser a única fonte capaz de fornecer eletricidade firme, em alto volume e sem emissões de carbono, condições indispensáveis para atender ao boom global de consumo de energia de Data Centers e tecnologias de IA; • Foco em grandes reatores (SMRs no interior): Dybov defende que o Brasil foque na construção de grandes plantas nucleares, que oferecem energia mais barata para os centros urbanos. Já os Pequenos Reatores Modulares (SMRs) são ideais para resolver gargalos pontuais em áreas remotas — como a Amazônia — ou para alimentar complexos isolados de mineração e metalurgia; • Geopolítica e Soberania Energética: A volatilidade geopolítica atrai, em vez de afastar, novos investimentos nucleares. Como uma usina pode operar por décadas (até 100 anos) sofrendo muito menos com as oscilações de preço da matéria-prima, diversos países estão adotando a tecnologia; Usinas nucleares de grande porte oferecem energia mais barata no longo prazo e maior capacidade de geração contínua, defende Ivan Dybov, diretor da estatal russa Rosatom ASSISTA a vídeo-entrevista
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