e-revista Brasil Energia 502

16 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 Especial Gás e Biometano me. Por isso, nossa rede está nos estados que representam 90% do PIB industrial brasileiro”. No Plano Coordenado de Desenvolvimento do Sistema de Transporte de Gás Natural, as transportadoras classificam o biometano como uma alternativa renovável importante no curto prazo, porque pode “diversificar as fontes de suprimento e ampliar o mercado de gás para além da infraestrutura atual”. Além disso, o documento detalha que a integração do biometano à rede de transporte de Gás Natural pode garantir ganhos de mercado e eficiência, já que permite movimentar volumes maiores de gás do que o GNC e o GNL. Ainda assim, as transportadoras só listam dois empreendimentos ligados ao biometano no plano. Ambos consistem na construção de pontos de recebimento (um em Japeri, no Rio de Janeiro, e outro em local a ser definido pela TBG), a fim de movimentar o gás renovável na malha do Sul-Sudeste. Somados, os projetos poderiam garantir a injeção de até 320 mil m3/dia de biometano na rede de transporte. Já no Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano, elaborado pela EPE, alguns projetos de expansão dos gasodutos mencionam o potencial de oferta do gás renovável nas regiões alcançadas, embora não detalhem como esta ligação aconteceria. O PNIIGB também traz a proposta de dois pontos de recebimento de biometano, sendo um em São Carlos, em São Paulo, e o outro em Porecatu, no Paraná. Oferta vai gerar demanda Assim como o setor de distribuição, a demanda estagnada não abala os planos das transportadoras de gás. A expectativa de Manso é otimista e, na visão dele, é a oferta abundante que vai gerar aumento da demanda, via disputa de preços mais competitivos. O executivo cita o caso do Rota 3, cuja carga está sendo absorvida pelo mercado, como compensação à queda na produção da Bacia de Campos, do gás importado da Bolívia e à redução da importação de GNL. A entrada em operação do gasoduto offshore- -onshore possibilitou que esse recuo na oferta fosse preenchida sem maiores repercussões nas tarifas, mas novos suprimentos previstos para entrar em breve podem, sim, forçar a queda nos preços “Na hora que entrar na malha, o Projeto Raia para conquistar mercado vai ter que baixar preço. Ninguém investe 9 bilhões de dólares para deixar o gás parado. Um choque de preço é o que vai permitir a penetração em novos mercados”, citando um estudo que aponta potencial consumo de 40 a 50 milhões de m3/dia da siderurgia para substituir o carvão. Quem é fonte nesta matéria ROGÉRIO MANSO, presidente da ATGás

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