26 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 Especial Gás e Biometano Na Distribuição, a rede cresce mas esbarra no preço Apesar da leve recuperação em 2025, o mercado segue travado pelo valor elevado do GN. As concessionárias dão a volta com a ajuda do mercado livre enquanto prospectam novas frentes para impulsionar o crescimento O consumo do mercado brasileiro de gás natural ensaia uma recuperação, mas segue distante de um crescimento consistente. Em 2025, o volume distribuído no Brasil avançou 3,8% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pela indústria, totalizando uma média anual de 54,4 milhões de m3/dia. Ainda assim, o desempenho não altera um cenário que se arrasta há mais de uma década: a estagnação da demanda. Enquanto isso, oportunidades claras, como o avanço do mercado livre, o setor de transporte pesado e a expansão do biometano esbarram na falta de competitividade da molécula e de uma política de longo prazo. Em consequência desse cenário adverso, a densidade da rede, que mostra a relação entre o volume distribuído e a quilometragem de gasodutos, apresentou recuo de 3,43% entre 2021 e 2025. Veja todos os dados no Painel Dinâmico cujo link está nessa edição Segundo Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), o avanço recente, especialmente no segmento industrial, que cresceu 5,3% em 2025, mostra que há potencial de aumento no volume distribuído, desde que as condições de mercado se mostrem adequadas. Mercado livre salva vendas Um dos destaques do ano passado foi a evolução do volume distribuído via mercado livre. Em janeiro de 2025, o total movimentado foi de 15,6 milhões de m3/dia, mas em dezembro já era quase o dobro desse volume, 30,8 milhões de m3/dia. “A indústria tem uma capacidade ociosa que pode ser aproveitada e o mercado livre deu essa possibilidade de maior flexibilidade da molécula, dando mais competitividade para o gás natural. Essa é uma questão que eu já venho falando há algum tempo e isso fica sinalizado pelos números. O Brasil tem mercado para poder crescer, para poder monetizar essa nova oferta de gás. Com uma molécula mais competitiva, a gente conseguiu um crescimento de 5,3% do mercado industrial. Então isso evidencia que existe potencial a ser trabalhado em outros segmentos onde perdemos espaço justamente por falta de competitividade”, analisa Mendonça. Nas contas da Abegás, mais de 50% do volume consumido pelo segmento indus-
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