Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 27 trial já migrou para o mercado livre. O apetite por esse modelo de contrato também é refletido no número de empresas que o adotam. Em 2025, pelo menos 14 distribuidoras comercializaram via mercado livre, com destaque para a Comgás, Gás do Pará e a Gasmar. A última só distribuiu gás desta maneira em 2025. Mesmo com o avanço do mercado livre, Mendonça atenta para a necessidade de transparência no modelo de negócio, como a divulgação dos preços de moléculas que estão sendo negociadas e de que forma isso pode afetar o mercado cativo. Apesar dos ganhos obtidos com a abertura do mercado, o preço do gás segue como principal gargalo ao aumento sustentável do consumo. Mendonça reconhece que houve avanços regulatórios, mas o impacto esperado na competitividade ainda não se materializou. “Se não houver realmente um ganho no preço da molécula, vamos ter apenas roupa nova no mercado de gás sem os benefícios concretos”. O que o setor necessita, na visão dele, são preços mais competitivos da molécula, a fim de garantir demanda sustentável no médio e longo prazos. Esta é uma mudança estrutural por envolver os sistemas integrados de escoamento e processamento do gás (SIE e SIP, respectivamente), operados majoritariamente pela Petrobras, além de Petrogal Brasil (Galp), Shell e outros poucos produtores. O sistema carrega “muitos custos desproporcionais”, disse, além de impor barreiras de acesso aos demais produtores de gás no país, obrigados a pagar o alto valor do escoamento e processamento. “Esse modelo de negócio não se sustenta. É por isso que nós temos mais de 10 anos um mercado estagnado.” Para Mendonça, a falta de transparência nos elos do escoamento e do processamento dificulta um diagnóstico mais assertivo sobre os motivos do preço da molécula tão elevado. Fora isso, os altos volumes de injeção restringem a oferta e, consequentemente, a competição. De fato, a reinjeção compromete um volume expressivo. Entre 2021 e 2025, o total reinjetado nos campos, para manter a pressão e a produção de petróleo, subiu 60,2% nesses cinco anos, passando de 22,2 bilhões m3 para 35,6 bilhões m3 (fonte: ANP). Só entre janeiro e fevereiro deste ano, mais de 6 bilhões de m3 de gás natural já foram reinjetados, o que dá, em média, 101,6 milhões de m3/dia. “Se eu não tiver o gás competitivo no final da cadeia, não consigo atender novas demandas. O gás a esse preço já existe há 20 anos. Precisamos desenvolver novos mecanismos que viabilizem a oferta firme na ponta. Se continuarmos com o modelo atual, a única coisa nova que vai acontecer são novos recordes de reinjeção.” O fator termelétricas Outro destaque do ano passado foi o segmento termelétrico, que cresceu 4,5%, com o consumo médio passando de 14,1 milhões para 15,3 milhões de m3/ dia. Ainda assim, Mendonça alerta que esse avanço não representa uma tendência firme porque depende do modelo de contratos flexíveis adotado no Brasil. Segundo ele, a integração entre os setores elétrico e de gás é um fator relevante a ser melhor implementado: “Existe um volume que é despachado na base, mas não damos o sinal correto para essa utili-
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