28 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 Especial Gás e Biometano zação” e isso, no seu entender, compromete tanto a segurança energética quanto a viabilidade econômica do gás. “A gente vê que o setor elétrico representa, sim, uma demanda firme quando precisa garantir a segurança energética, enquanto o setor de gás natural tem capacidade, mas precisa de demanda firme para que possa investir em mais oferta de gás natural. Então, acho que esses dois setores precisam se integrar mais para haver essa viabilidade de crescimento com segurança energética.” Novos nichos à vista O setor de transporte pesado é um dos nichos de mercado que já figuram como potencial impulsionador do consumo de gás, revela Mendonça, baseado no fato de o país já contar com mais de 2.500 caminhões a gás e cerca de 160 postos preparados para atender essa pequena grande frota. A alta do diesel segue impulsionando a procura por esse tipo de motorização e já existe uma rede pronta e capilarizada para atender uma demanda que tende a crescer. Mas, para isso, Mendonça sustenta a defesa de políticas públicas de incentivo ao uso do GN em veículos pesados, como a isenção de pedágio, redução de IPVA e linhas de financiamento. Além do transporte de carga, a infraestrutura existente em muitas cidades já servidas pelas redes das distribuidoras já possibilitaria atender muitas garagens de ônibus. Outro nicho de interesse são os data centers, rodeados por incentivos que exigem uso exclusivo de gás renovável. O gás natural tem sido preterido pelas restrições ambientais que privilegiam energia renovável, mas Mendonça lembra que, com isso, o Brasil pode perder espaço na corrida global dessas estruturas que exigem suprimento contínuo 24 horas por dia, 365 dias no ano. “Muitos (empreendedores) vão optar por se instalar em outros países por ter a segurança energética que a energia renovável não pode garantir. Ou chegar ao absurdo de instalar geradores a diesel (em complemento ao suprimento renovável).” Integração com o biometano Ainda que considere como essencial a integração do gás renovável à rede, Mendonça considera que a produção atual de biometano ainda está muito aquém do potencial de demanda. Em sua avaliação, o biometano é um insumo complementar; o gás natural viabiliza o mercado, em especial no curto prazo, enquanto o biometano cresce gradualmente, acompanhando a expansão da demanda e da infraestrutura. “Para evitar barreiras no suprimento, precisamos entrar com o gás natural. E o biometano vai fazendo sua parte, construindo novas plantas e viabilizando a entrada também de consumidores. Mas o gás natural é que vai abrir essa porta. Se tivermos que esperar o aumento dessa oferta para poder avançar, vai demorar muito tempo e perdemos a janela. A solução é a adição energética. Precisamos ter o gás natural e o biometano. Eles vão juntos para essa implementação.” Veja a seguir quatro cases de distribuidoras que consideram o biometano parte importante de sua estratégia de expansão. Quem é fonte nesta matéria MARCELO MENDONÇA, diretor-executivo da Abegás
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