e-revista Brasil Energia 502

44 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer Energia Fóssil e Renovável. O “e” em vez de “ou”. O Brasil, com recursos renováveis abundantes, cunhou a expressão Adição Energética, mas ainda enfrenta desafios de infraestrutura e precisa lidar com variações hidrológicas Dentro da atual conjuntura, recomendo a leitura do recém-publicado relatório “Energy Security: The “And” Strategy”. Esse relatório publicado pela Sapienship, o think thank do Yuval Noah Harari, pensador influente na política ocidental, deixa claro que o debate energético mudou de eixo. Nos últimos anos, a discussão sobre clima perdeu e tem perdido espaço relativo, enquanto a segurança energética passou ao centro das decisões. A pandemia, os conflitos geopolíticos e as interrupções nas cadeias de suprimento expuseram um problema óbvio: a dependência excessiva de poucos fornecedores muitas vezes diversos dos principais mercados. O caso de países da Europa ocidental, a partir de 2022, ilustra bem esse ponto. Ao ter o fornecimento de gás interrompido pela Rússia por conta de pressão para a guerra com a Ucrânia, muitos países precisaram reorganizar rapidamente sua matriz, sendo que alguns já planejam retornar à geração nuclear que pretendiam descontinuar. E esse tipo de vulnerabilidade global não é surpresa. Os dados mostram que 62% das reservas de petróleo estão basicamente concentradas em cinco países, 66% do carvão em quatro e metade do gás natural em apenas três. Trata-se de uma concentração que amplia riscos, sobretudo porque parte desses países não apresenta estabilidade política ou alinhamento com a esfera ocidental. O trabalho apresenta as energias renováveis como uma solução inicial nessa equação porque, diferentemente dos combustíveis fósseis, sol e vento são recursos naturais para cerca de 90% da população mundial. Mas mesmo para quem vive em regiões com alto potencial solar esses recursos não corresponderam como solução definitiva. Estudos do passado indicavam que a expansão das renováveis poderia reduzir riscos comerciais a 70% dos países e beneficiar 85% da população em termos de segurança energética. Mas seria ingênuo e até perigoso enxergar as renováveis como pedra filosofal capaz de resolver esse problema. O próprio enfoque do relatório é contundente ao desmontar completamente esse mito. Na verdade, a dependência tem mudado de forma. A geração solar e eólica varia conforme o clima e exige redes mais robustas, sistemas de armazenamento e também fontes complementares. Já a produção de baterias e equipamentos exige minerais críticos, como níquel e cobalto, cuja oferta também é concentrada. Aliás, o próprio refino desses materiais estratégicos para a transição está fortemente centralizado, com destaque para a China. Mesmo com essas restrições, é óbvio que também existem ganhos. Tecnologias renováveis em muitos casos compensam as emissões de sua fabricação em cerca de dois anos de operação e, ao longo do tempo, produzem menos resíduos e consequentemente menos poluição. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/energia-fossil-ourenovavel-o-e-ao-inves-do-ou

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