Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 87 Nascida no dia 24 se outubro de 1669 como o Forte São José da Barra do Rio Negro e rebatizada como Manaus em 1856, homenagem a seus habitantes originais, os indígenas Manaós, a capital amazonense é hoje um aglomerado de 2,81 milhões de habitantes (IBGE 2025), se incluídos os outros 12 municípios que integram sua Região Metropolitana, quase a população total do estado do Mato Grosso do Sul (2,92 milhões). Ou metade dos habitantes que tem a Noruega (5,6 milhões), sexto maior país da Europa. Encravada no meio da maior floresta tropical do mundo, Manaus era uma comunidade extrativista relativamente pequena quando ganhou seu nome definitivo seis anos após ser alçada a capital da recém-criada província do Amazonas (1950). Em 1872, segundo o IBGE, tinha 29.334 habitantes. No final daquela década começaria seu período áureo, associado ao ciclo da exploração extrativista dos seringais da floresta para a produção de borracha. Vieram as modernidades dos bondes e da energia elétrica, o refino cultural do Teatro Amazonas (1896) e o crescimento populacional, apesar do isolamento físico. Em 1900, eram 50.300 habitantes, saltando para 75.704 vinte anos depois, já no ocaso da borracha, vencida pela produção cultivada pelos ingleses na Malásia. O eclipse econômico não barrou o aumento da população que seguiu crescendo fortemente nas décadas seguintes. Em 1967, quando foi criada a Zona Franca de Manaus como alternativa de desenvolvimento econômico, para o bem e para o mal, concentrava perto de 300 mil habitantes (314.197 em 1970). Foi o gatilho da explosão demográfica. O Censo de 1991 já computou mais de um milhão de pessoas na cidade. Abastecer de energia elétrica aquela enorme comunidade isolada nunca foi fácil. Diferentemente das demais regiões do país, o relevo amazônico não favorece à geração hidrelétrica, especialmente com reservatório. O desastre da UHE Balbina, inaugurada em fevereiro de 1989, que o diga, um gigantesco lago raso de quase 3 mil km2 para uma capacidade máxima de geração de 250 MW. A geração térmica a óleo diesel e a óleo combustível foi desde o início a alternativa de abastecimento elétrico não só para Manaus como para as centenas de sistemas isolados menores que foram se espalhando pela Amazônia, ainda que manter essas operações seja caro, poluente e logisticamente complexo. A redução ao mínimo do recurso ao combustível fóssil líquido nas térmicas da região, preferencialmente pela via da integração ao SIN, sempre foi um objetivo, perseguido com mais afinco nos últimos anos. De 2017 para 2025 o número de sistemas isolados caiu de 212 para 160. “Circuito único é frágil” Manaus foi integrada quatro anos antes, em 2013, e outros quatro anos mais cedo, em 2009, o gás natural produzido pela Petrobras no campo de Urucu (AM) chegava à capital do estado por intermédio do gasoduto Coari-Manaus, uma viagem de 661 km.
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