e-revista Brasil Energia 502

Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 89 as mesmas torres, então você tem essa fragilidade”, explica a especialista. Essa característica, segundo Valenzuela, obriga o ONS a ser muito mais cauteloso na operação em relação ao uso da conexão ao SIN em sua plenitude para reduzir a geração térmica local. “Se alguma coisa acontece e a linha cai, recompor o sistema é um desafio bastante expressivo. Em função disso o ONS adota algumas restrições que estão registradas no procedimento de rede para a operação da área”, ressalta. São essas restrições que determinam a necessidade de uma expressiva geração local para suprimento da área, independentemente de inflexibilidades contratuais das usinas, explica a engenheira. Em tese, a especialista entende que a duplicação efetiva da conexão ao SIN seria a melhor alternativa para reduzir a geração local, mas seria necessário saber se os custos econômicos e socioambientais compensariam. Outra alternativa já estudada, a construção da UHE Bem Querer, de 650 MW, em Roraima, esbarrou nas restrições ambientais. “Considerando o arranjo atual como está, acaba que o gás natural se mostra, inclusive do ponto de vista ambiental, competitivo”, conclui Valenzuela. Parque em expansão Além das usinas hoje existentes, o parque termelétrico de Manaus está em expansão, devendo incorporar nos próximos anos pelo menos mais duas usinas, a UTE Manaus I, de 162,9 MW, e a UTE Rio Negro, de 188 MW, estando a primeira com inauguração prevista para este ano e a segunda ainda em projeto. Todo o parque térmico despachável de Manaus, incluindo as duas usinas que não estão prontas e quatro pequenas unidades de sistemas isolados a gás natural (Anemã, Anori, Caapiranga e Cadajás), foi comprado em junho de 2024 pela Âmbar Energia, do grupo J&F, à Eletrobras (hoje Axia), por R$ 4,7 bilhões. Para o então presidente da Âmbar, Marcelo Zanatta, mesmo com a interligação ao SIN, Manaus possui uma característica geográfica que ele define como “ponto intermediário crítico”. O executivo explicou à reportagem da Brasil Energia que com a conclusão da interligação Manaus-Boa Vista, em setembro do ano passado, a região tornou-se ainda mais sensível a “eventuais instabilidades em transmissão de longa distância”. Neste contexto, considerando a distância de 725 km entre as subestações de Manaus e Boa Vista, Zanatta entende que “o complexo de Manaus consolidou sua relevância como hub de estabilidade para todo o extremo Norte do país”. Na avaliação do executivo, nesta nova conjuntura “a potência firme local passa a ser essencial não apenas para o abastecimento da própria capital amazonense, mas também como suporte à transmissão para Roraima, contribuindo para que o crescimento industrial e populacional da região não seja limitado por gargalos de rede em momentos críticos”. Questionado sobre a dependência em relação ao gás de Urucu, um combustível fóssil e finito, Zanatta respondeu que “o gás natural de Urucu não deve ser visto apenas como uma dependência, mas como um ativo estratégico para a segurança energética da Amazônia”.

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