e-revista Brasil Energia 502

Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 99 Vale anuncia primeiro navio transoceânico a etanol A Vale e a Shandong Shipping Corporation concluíram um acordo de afretamento para novos navios Guaibamax movidos a etanol, que serão entregues a partir de 2029. O acordo inclui contratos de 25 anos para a construção de dois navios, com opção para mais embarcações. A adoção destes Guaibamax de segunda geração, que são embarcações com 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas, faz parte de uma estratégia multicombustível da mineradora brasileira. Além de etanol, estas embarcações poderão utilizar metanol e óleo pesado, incluindo ainda um design que prevê a possibilidade de conversão para o uso de gás natural liquefeito (GNL) ou de amônia. Os novos navios movidos a etanol serão semelhantes a outros 10 navios bicombustíveis (metanol e óleo pesado) que serão entregues pela Shandong para a Vale a partir de 2027. Velas rotativas A segunda geração do Guaibamax será equipada com cinco velas rotativas – que utilizam energia eólica para reduzir o consumo de combustível –, motores mais eficientes, dispositivos hidrodinâmicos, gerador de eixo, inversores de frequência e pintura de silicone, entre outras melhorias na eficiência energética. O conjunto de tecnologias aplicadas reduzirá em cerca de 15% as emissões de GEE em comparação com a geração atual de Guaibamax. Considerando o ciclo completo do combustível do poço à hélice (well-to- -wake), o etanol pode representar uma redução de aproximadamente 90% (no caso de etanol de segunda geração) nas emissões de carbono em comparação com o óleo pesado, em linha com as discussões em andamento na Organização Marítima Internacional (IMO), segundo a Vale. Além do transporte marítimo, a adoção do etanol na logística da Vale inclui testes em caminhões nas operações e em locomotivas da Ferrovia Vitória a Minas (EFVM). Programa Ecoshipping As tecnologias e combustíveis alternativos estão sendo testados no âmbito do programa Ecoshipping, uma iniciativa de P&D criada pela Vale para apoiar a descarbonização da indústria marítima e aumentar a eficiência da frota a serviço da mineradora. Desde 2020, a Vale investiu cerca de R$ 7,4 bilhões (US$ 1,4 bi) para reduzir suas emissões de Escopo 1, 2 e 3. A empresa comprometeu-se a reduzir 15% as emissões do Escopo 3 até 2035, relacionadas à cadeia de valor, que inclui a maior parte das emissões do transporte marítimo, dependendo do tipo de contrato.

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