10 Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 entrevista Ricardo Vianna jeto, falando com os principais players. Agora que colocamos a cara para fora. A BR Offshore vai participar das licitações da Petrobras para a reciclagem de plataformas? Dessas que estão na rua não, porque a gente ainda tem um cronograma de cerca de 24 meses para completar a obra. A gente chegou a olhar, mas decidiu não participar, porque não dá tempo. A lentidão da Petrobras em lançar os editais de reciclagem não é preocupante? A nova onda (de reciclagem) vai chegar. Há 14 embarcações de diferentes operadores, hoje, no Brasil, que já deveriam ter sido recicladas. Tem mercado. Daqui a 20 anos, os FPSOs novos vão ser reciclados. O Brasil está com 55 FPSOs em operação. A idade média é de 20 a 25 anos. Então vai ter uma demanda perene. Se a gente olhar para outras categorias de embarcações, como navios de contêiner, a demanda é maior ainda. Nosso foco são as embarcações de grande porte, que são as que têm maior volume de aço. A BR Offshore está apostando em dois segmentos que ainda estão em processo de aprendizagem, que é a reciclagem e a eólica offshore. Não é perigoso? A eólica offshore não é para amanhã ou depois de amanhã. Mesmo que a regulamentação saia no final deste ano, estamos olhando para daqui a cinco anos. Ou seja, se houver um novo declínio da Bacia de Campos daqui a cinco ou dez anos, vai ter a eólica offshore entrando. A nossa instalação está olhando para o mercado de 30 a 35 anos. Nesse período, o mercado de reciclagem de embarcações deve ser perene e crescente, dado a falta de instalações de reciclagem capazes de absorver a demanda. Há 182 FPSOs no mundo na fila para serem reciclados. Somado a todos os outros tipos de embarcações de grande porte, em 2035, deve ser necessário reciclar de sete a oito embarcações por dia. Não há a menor capacidade disso ser feito hoje. Então, temos um mercado ávido. E, obviamente, toda preocupação com a descarbonização é bastante relevante. O Brasil é um país que gera muito pouca sucata metálica per capita. Mas a P-32, que está no estaleiro Ecovix (para desmantelamento), tem 42 mil toneladas de aço de boa qualidade, bom para reciclagem, o que evita muito a emissão de CO2. É uma boa notícia para o setor naval. A demanda brasileira é relevante por conta da relevância da frota de óleo e gás no país. E há uma demanda mundial. Considerando que o Brasil já tem uma mão-de-obra qualificada da indústria naval, não tem por que perder essa onda e deixar de criar um hub de reciclagem no país. Eu sozinho não vou dar conta. Vão ter outras instalações semelhantes à minha que vão ser desenvolvidas também. Uma das dificuldades do setor naval brasileiro é o financiamento. Como está sendo isso para vocês? A gente tem um sócio, a holding do Banco Fator, que está estruturando um
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