Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 9 são embarcações extremamente grandes. Muitos dos estaleiros da União Europeia não têm capacidade de recebê-las. Hoje, existem dois estaleiros na União Europeia, na Dinamarca e Noruega, com capacidade de receber FPSOs. O Brasil já mandou dois para lá e deve mandar um terceiro. A Dinamarca e a Noruega são os principais concorrentes? Aqui no Brasil seria a Ecovix? No Brasil é a Ecovix, que recebeu a P-32 (da Petrobras). Mas a gente vê que para uma estrutura de estaleiro de construção, mais pesada e de mais investimento (como o Ecovix), é melhor construir do que desconstruir. E, obviamente, o custo de fazer um descomissionamento num estaleiro de construção é mais elevado do que o de usar uma instalação desenhada desde o começo para isso. O Brasil está bem-posicionado para disputar o mercado internacional? Estamos na costa atlântica, enorme. Há uma frota de FPSOs na África também bastante relevante. O primeiro movimento seria atrair os FPSOs que estão no Brasil e depois, os da África. Rebocar uma estrutura dessa até a Dinamarca custa, tem que ter a aprovação de 16 países, porque há a movimentação de resíduos perigosos. É uma dor de cabeça. E toda dor de cabeça agrega custo. Fora isso, no Brasil, há várias indústrias siderúrgicas que são demandantes do aço. Você diria que a construção de plataformas já não atrai os investidores em estaleiros como no passado? O ciclo da queda do petróleo machucou muita gente no mundo inteiro, seja construtor de FPSO, armador e também grandes operadoras de frotas de barco de apoio. Cada estaleiro foi, então, buscar uma vocação. A gente perdeu capacidade produtiva no Brasil, assim como outros países. Houve uma certa especialização. Índia, China e Cingapura cresceram nesse mercado, com políticas específicas favoráveis. O Brasil tem uma lei de conteúdo local que ajuda, mas não é tão competitivo quanto foi no passado. Hoje é impensável voltar a ter participação de mercado como no passado. Antes era Japão e Brasil. Agora tem Coreia, Cingapura e China, bastante agressiva. O mercado mudou. Qual o carro-chefe da BR Offshore, o apoio offshore e a eólicas ou a reciclagem? A reciclagem é o nosso negócio principal. Mas temos uma área que vamos dedicar como base de apoio offshore. Acabamos comprando uma área maior no ano passado, quando começamos a desenhar o novo projeto. Temos um cais de 900 metros. Então, os dois carros-chefes são uma instalação de reciclagem de embarcações e uma base de apoio tradicional. Temos conversas específicas para a utilização dessa base de apoio. E temos uma terceira área que a gente está ainda discutindo o que vai fazer. Essa área de base de apoio, temos perspectiva para daqui a alguns anos usar como apoio para eólica offshore. Já tem contrato previsto? Estamos conversando. Na verdade, estamos há três anos desenvolvendo o pro-
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