e-revista Brasil Energia 503

8 Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 entrevista Ricardo Vianna Como surgiu o projeto do novo estaleiro? Começamos em 2012, quando compramos a área em Barra do Furado (em Quissamã, RJ), visando participar de uma licitação da Petrobras. Consideramos Barra do Furado extremamente estratégico. É o ponto de terra mais próximo do centro de massa da Bacia de Campos. A quatro quilômetros de onde estamos, entram três gasodutos e quatro oleodutos da Bacia de Campos, que dali vão para Cabiúnas (terminal). Tem toda uma lógica de localização. Além disso, já havia intervenções na área, com a construção de um canal artificial. Então, a gente tem não só um conhecimento bastante grande da região, que já tinha sofrido intervenção humana, como também aproveita parte da estrutura. Com a melhora do mercado, há três anos, começamos a repensar o que poderia ser feito na área. A gente começou a ver investimentos pesados na Bacia de Campos e o pré- -sal da região começando a ser explorado. Ao mesmo tempo, tem as operadoras independentes, que dão uma outra tônica de exploração dos campos já maduros. A gente vê ali um potencial bastante grande. Simultaneamente, alguns campos da Bacia de Campos também passam pelo fim do ciclo de vida. Sim. Plataformas começaram a ser descomissionadas. Ao mesmo tempo, houve uma grande mudança de paradigma na regulação mundial de reciclagem de plataformas. Antes, basicamente, os navios eram vendidos para cash buyers para eles fazerem uma reciclagem precária, com baixa preocupação ambiental e com os trabalhadores. Em função disso, várias convenções mundiais de circulação de materiais perigosos e de reciclagem de embarcações estabeleceram regulamentos mais restritos, o que levou à criação de um novo paradigma, de uma reciclagem responsável. Hoje, a União Europeia já está regulada. Todos os grandes armadores de origem europeia já estão seguindo essa regulação. Há ainda uma preocupação com a descarbonização. O aço verde passa a ser cada vez mais valorizado. Então, a gente percebeu que não só o Brasil tem uma das maiores frotas de FPSO que estão chegando ao final de sua vida útil e precisam ser recicladas, como o mundo inteiro está nessa onda, com a regulação dos estaleiros verdes e a convenção de Hong Kong (que estabelece normas internacionais de reciclagem de navios). É preciso ter instalações específicas que obedeçam a uma série de questões de segurança ambiental e dos trabalhadores. Está acontecendo uma enorme demanda de locais para fazer a reciclagem de embarcações de forma segura e ambientalmente correta. O mercado externo também está no foco da empresa? Ainda existem desafios. O Brasil precisa aprovar o Projeto de Lei 1584, que é a lei de reciclagem, e aderir à Convenção de Hong Kong. Estamos fazendo todo o projeto já visando todos os itens preconizados no PL e os principais itens da Convenção de Hong Kong. E estamos seguindo os itens da União Europeia. Esse é um mercado que está fazendo fila, principalmente FPSOs, que

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