e-revista Brasil Energia 503

16 Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 Especial de Capa De acordo com dados de 2020, últimos disponíveis no site da ANA - Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, a área ocupada por massas d’água construídas no Brasil somava 45.583,76 km2, abrangendo um pouco mais do que a área total do estado do Rio de Janeiro (43.750 km2) ou um pouco menos do que a do Espírito Santo (46,074 km2), distribuída por 174.527 lagos, lagoas ou açudes de todos os tamanhos, mapeados por satélites. Em quantidade, eles respondiam por 72,4% do total da massa d’água existente, entre artificiais e naturais, mas em área ocupada eram somente 26,20%, representando uma expressiva capacidade de acumulação de 630,2 trilhões de litros de água, 92,7% associados à geração de energia hidrelétrica. Parece muito, mas desde 1998, quando foi inaugurada a UHE Serra da Mesa, no rio Tocantins, que o Brasil não constrói uma hidrelétrica com reservatório de armazenamento plurianual, mas apenas usinas a fio d’água, cujos reservatórios são suficientes apenas para algumas horas, ou reservatórios de acumulação em rios de baixa vazão que também geram estoques de pouca duração. Agora, de acordo com resolução do CNPE do dia 1º de abril deste ano, o planejamento energético brasileiro vai voltar a tratar como prioridade estratégica a busca por alternativas para retomar a construção de usinas hidrelétricas com reservatórios que, juntamente com as também alçadas a prioritárias hidrelétricas reversíveis (UHRs), são consideradas essenciais para garantir a expansão das fontes renováveis intermitentes - solar e eólica - em um ambiente de transição para geração elétrica de fontes verdes. Os mais recentes estudos de longo prazo da EPE para o Plano Nacional de Energia 2055 (PNE 2055), feitos com os instrumentos e padrões de avaliação conhecidos, indicam que, de um potencial calculado em 178 GW de capacidade de geração hidrelétrica, o país ainda dispõe de 66 GW não aproveitados e disponíveis para estudos, sendo 52 GW para usinas com mais de 30 GW de capacidade e 14 GW para PCHs e CGHs. O potencial disponível, portanto, corresponde a 37% do total inventariado. A parcela utilizada de todo esse acervo, de 112 GW (63%), estavam em operação (109 GW) ou em construção (3 GW) quando o estudo foi concluído, em janeiro de 2025, sendo 103 GW em UHEs e 9 GW em PCHs/CGHs. Apesar dessa expressiva disponibilidade, a última hidrelétrica de porte superior a 100 MW colocada em operação no país foi a UHE São Roque, de 142 MW, no rio Canoas, Santa Catarina, inaugurada em julho de 2022 tardiamente, após seis anos de paralisação da obra. São Roque conta com um daqueles reservatórios de acumulação de pequeno porte, com apenas 45 km2 de área. Concentração na Amazônia A maior parte do potencial conhecido pelos métodos de inventário até agora utilizados encontra-se na Região Hidrográfica Amazônica. Segundo a EPE, nesta que é a maior bacia hidrográfica do mundo, encontram-se 62% dos 52 GW mapeados para a construção de UHEs. Outros 16% estão na bacia Tocantins-A-

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