e-revista Brasil Energia 503

Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 19 Belo Monte, por exemplo, com 11.233 MW de capacidade (incluindo a usina complementar de Pimental), gera, no conjunto, menos de 400 MWmed por dia no auge do período seco, basicamente para suprir a demanda no horário de ponta do consumo, característica que exige engenho para tornar sua operação economicamente viável e tecnicamente segura. A dificuldade geográfica para construir usinas com reservatórios na Amazônia é um dos desafios a serem enfrentados pelo planejamento para levar adiante com sucesso a resolução do CNPE para que sejam retomados os estudos para a construção de UHEs com reservatórios no Brasil. Áreas legalmente protegidas Contudo, à luz dos dados atuais, os obstáculos socioambientais podem ser ainda mais difíceis de transpor. Dos 52 GW de potencial hoje mapeado pela EPE, 77% (40 GW) estão em localizações que interferem em áreas legalmente protegidas, seja Unidades de Conservação (UCs), Terras Indígenas (TI) ou Terras Quilombola (TQ). Segundo os dados levantados, 17 GW interferem com TI e TQ, 11 GW com UC e 12 GW, simultaneamente, com TI, TQ e UC. No caso das TIs, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais, aprovada em 1989 e ratificada pelo Brasil em 2002, atribui a estes o direito sobre as terras tradicionalmente ocupadas e seus recursos naturais. Para o engenheiro Jérson Kelman, ex-presidente da ANA e ex-diretor-geral na Aneel, defensor de longa data das hidrelétricas, a solução é despertar nas comunidades afetadas o interesse pelos projetos, tornando-os sócios dos empreendimentos, como vem sendo feito no Canadá. O caso mais conhecido, mas não único, é o da UHE Keeyask, inaugurada em 2022 na província de Manitoba, na qual a estatal Manitoba Hydro negociou com quatro povos indígenas uma participação acionária de 25%, inclusive na gestão da planta, em troca da autorização para construir a usina de 695 MW. “Suponhamos que seja possível os indígenas e não a Funai decidirem o que pode ser feito, qual benefício que o Brasil e as comunidades envolvidas teriam?”, pergunta Kelman. Do ponto de vista técnico, ele defende que a EPE busque soluções diferentes do que era feito no passado para fazer os inventários das bacias, procurando usar ferramentas tecnológicas que propiciam um inventário mais interativo, especialmente com os municípios. Três usinas e muitas dúvidas Nos estudos para a elaboração do PDE 2035, a EPE identificou nos dados da Aneel 24 projetos de UHEs com mais de 50 MW de capacidade e com registros para estudos de viabilidade técnica e econômica (EVTE). Quem é fonte nesta matéria JÉRSON KELMAN, ex-presidente da ANA e ex-diretorgeral na Aneel

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