e-revista Brasil Energia 503

Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 31 No dia 12 de maio, o Sinicon, órgão que congrega a maioria da construção pesada do país, lançou um vídeo para atrair jovens atualmente no ensino médio para profissões de nível superior da área de infraestrutura. No mesmo dia lançou uma cartilha com diagnóstico sobre escassez de mão de obra e com propostas estruturantes para enfrentar o problema. O motivo era uma projeção feita pela CNI mostrando que atualmente o Brasil enfrenta um déficit de aproximadamente 75 mil engenheiros, com tendência a se agravar. Para a cadeia de construção de usinas hidrelétricas, o dado representa um sinal amarelo no momento que o Governo Federal, por meio do CNPE, sinaliza com a perspectiva de investir esforços em retomar a construção de hidrelétricas com reservatório e de começar a construção de hidrelétricas reversíveis como alternativa de armazenamento de energia de longa duração. Tanto mais que o segmento de construção de hidrelétricas encontra-se operando em uma espécie de banho-maria desde meados da década passada, quando a construção da UHE Belo Monte, última grande hídrica construída no país, atingiu seu pico de obras. “Houve uma redução depois de Belo Monte, não só aqui, mas no mundo inteiro, mas, felizmente, conseguimos manter o core aqui na companhia”, disse o CEO da Andritz Hydro Brasil, Dieter Hopf. A Andritz forma com a GE, a Voith e a WEG uma espécie de Quarteto Fantástico da construção hidrelétrica, sendo a última mais presente no segmento de PCHs/CGHs, encabeçando uma cadeia que se ramifica por centenas de subfornecedores de peças e componentes eletromecânicos. O engenheiro Rafael Kelman, diretor executivo da PSR Consultoria, disse que o refluxo de atividade na cadeia não foi trivial. Ele mesmo tem amigos que atuavam nas áreas de projetos e de vendas de equipamentos hidrelétricos que precisaram se realocar profissionalmente por carência de trabalho nessas áreas. Segundo ele, houve também muita perda de cérebros, com profissionais buscando realocações no exterior. Historicamente, aconteceu nessa área de hidrelétricas algo parecido com o que ocorreu na cadeia da indústria naval quando secaram os financiamentos e acabaram as encomendas em série aos estaleiros em meados da década de 1980. Com a diferença que lá houve um desmanche dos cabeças de rede, os estaleiros, o que não aconteceu no caso do segmento hídrico. Hopf conta que, além das obras de modernização que começaram a se acelerar no final da década passada, uma parte importante da sobrevivência da Andritz, empresa austríaca, veio das exportações. O executivo citou fornecimentos para hidrelétricas no Canadá, Estados UniQuem é fonte nesta matéria DIETER HOPF, CEO da Andritz Hydro Brasil RAFAEL KELMAN, diretor executivo da PSR Consultoria

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=