Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 45 A Amazônia Legal é um desafio extremo para o sistema elétrico brasileiro. Segundo o Instituto de Energia e Meio-Ambiente (Iema), de São Paulo, cerca de 1 milhão de pessoas ainda não tinham eletricidade naquela região em 2023. Embora seja a mais afetada pelo problema, a Amazônia Legal produziu 21% de toda a geração elétrica do país, consumindo apenas 12%, de acordo com estudo da FGV-Ceri. Este foi o segundo levantamento do Iema. Em outro, de 2021, a população sem acesso à energia somava 990,1 mil pessoas em nove estados. Praticamente um quarto desse contingente, cerca de 212,8 mil pessoas, era formado por moradores de assentamentos rurais. Nas terras indígenas viviam 78,3 mil, nas unidades de conservação outras 59,1 mil pessoas e os quilombolas eram 2,5 mil sem eletricidade. O restante totalizava 281,9 mil pessoas distribuídas na classificação “outras áreas”. Em termos percentuais, o Acre era o estado mais afetado: 10% de toda a sua população não contava com serviços de luz elétrica. Já em números absolutos, o Pará liderava: 409,5 mil pessoas ou 4,8% dos habitantes do estado. Rondônia tinha 6% de seus habitantes sem luz e, Roraima, 4%. Um olhar mais atento no Pará mostra como o estado é importante na última milha de acesso à eletrificação: segundo o MME, de janeiro de 2023 a setembro de 2025, cerca de 651,9 mil pessoas foram beneficiadas pelo programa Luz para Todos. Nesse período, o estado liderou em número de ligações, com 351,7 mil pessoas atendidas, seguido pelo Piauí (67,1 mil), Amazonas (51,2 mil), Bahia (48,8 mil), Acre (39,1mil), Maranhão (26,6 mil) e Rondônia (24,8 mil). Ou seja, pelos dados atuais, a situação desenhada acima teria melhorado. Apesar disso, ainda existem aproximadamente 238 mil famílias sem acesso à energia elétrica, segundo o MME, em Sistema solar instalado na comunidade Bauana, localizada no município de Carauari (AM), fruto do projeto “Sempre Luz”, realizado entre a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e a UCB Power
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