48 Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 série AMAZÔNIA & ENERGIA Pará, enquanto a Energisa controla as concessionárias do Acre, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins. A Âmbar, por sua vez, tem as concessões do Amazonas e Roraima. Para Sidney Simonaggio, que foi diretor operacional do antigo Grupo Rede, ex-controlador das distribuidoras no Pará, Tocantins e Mato Grosso, entre outras, a baixa densidade de consumidores e os custos elevados de infraestrutura são os problemas mais destacados na distribuição de energia. “A região apresenta áreas com uma densidade muito baixa, chegando a apenas 1 consumidor por km2, em forte contraste com grandes centros urbanos como São Paulo, que podem ter 1.600 consumidores por km2”, explica. “Essa realidade encarece a [remuneração da atividade da] distribuição, pois os custos de implantação e manutenção são pagos por pouquíssimas pessoas”, completa. Na avaliação dele, as grandes distâncias impedem que as distribuidoras tenham ganhos de escala. “Consequentemente, as equipes em campo precisam ser multitarefas, assumindo desde atendimentos de emergência até manutenções, cortes e religações, diferente de São Paulo, onde o volume de clientes permite o uso de times especializados”, detalha. De acordo com o consultor, os altos índices de furto de energia também impactam a operação, uma vez que parte dos consumidores vive em condições financeiras precárias, “beirando a insolvência”, o que dificulta muito o faturamento e a cobrança regular das contas. Em tempo: a Âmbar Energia só perde para a Light em termos de perdas não- -técnicas. Segundo a Aneel, as duas concessionárias foram alvo de 34% de todo o volume de fraudes e roubos apurados na rede do país, em 2025. Cyro Boccuzzi, especialista em redes inteligentes, complementa a avaliação de Simonaggio, ao lembrar que a falta de estradas adequadas faz com que muitas comunidades só possam ser acessadas por vias fluviais. “O deslocamento das equipes de manutenção pode levar horas ou dias, dependendo do clima e da navegabilidade”, detalha. Segundo ele, a geografia impõe um modelo diferente de infraestrutura elétrica. “As redes são muito extensas, fragmentadas e menos interligadas do que as de áreas urbanas. Os circuitos operam de forma radial, o que significa que a energia viaja por um único caminho”, explica. “Em caso de falha, não há possibilidade de redirecionar a carga por outro circuito e o fornecimento de energia só é normalizado após o conserto do defeito específico”, completa. Além da dificuldade geográfica e da baixa densidade de consumidores, Boccuzzi acrescenta um terceiro problema: a falta de conectividade adequada, o que Quem é fonte nesta matéria SIDNEY SIMONAGGIO, que foi diretor operacional do antigo Grupo Rede, ex-controlador das distribuidoras no Pará, Tocantins e Mato Grosso CYRO BOCCUZZI, especialista em redes inteligentes
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