e-revista Brasil Energia 503

Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 49 limita a expansão das redes inteligentes. O grau de automação na região é baixo e a mobilização de equipes muitas vezes depende da ligação dos próprios consumidores informando a falta de energia. “Com a inteligência na rede, as concessionárias conseguiriam localizar defeitos de forma mais rápida, planejar intervenções e até realizar manobras remotamente para restabelecer o fornecimento de energia, diminuindo a dependência de longos deslocamentos físicos que podem levar horas ou dias de barco” explica. A melhoria na qualidade do serviço também pode acontecer com o uso de tecnologias digitais e com o monitoramento em tempo real, uma vez que esses recursos ajudam as empresas a diagnosticarem problemas de forma mais ágil e a adotar posturas preventivas. O resultado direto acontece na redução da duração das interrupções de energia e na melhoria de indicadores de qualidade importantes do setor elétrico, como o DEC e o FEC. “Em áreas remotas ou pouco povoadas da Amazônia, onde as soluções tradicionais não são viáveis, a comunicação por satélites, especialmente os de baixa órbita, surge como uma alternativa competitiva para viabilizar as aplicações tecnológicas e automatizar a operação”, esclarece Boccuzzi. O especialista também destaca a adoção de micro redes, combinadas com recursos energéticos distribuídos. Para ele, essa iniciativa ajudaria a superar a dependência histórica da região em relação ao diesel: a energia solar poderia substituir ou complementar o combustível ou ser ativada de forma híbrida, associada ao armazenamento de energia por baterias (BESS). O estudo da FGV Ceri reforça a adoção de soluções descentralizadas para aumentar a qualidade da energia fornecida na região. Na avaliação dos autores do relatório, essas opções são capazes de “aprimorar significativamente a qualidade e a confiabilidade da energia ofertada”. Em outras palavras: a tecnologia também se adaptaria à singularidade da Amazônia Legal. Foto: Divulgação/Jirau Energia Linhão do Madeira: Amazônia produziu 21% de toda a geração elétrica do país, consumindo apenas 12%, de acordo com estudo da FGV-Ceri

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