e-revista Brasil Energia 503

Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 55 Rubem Cesar Souza Rubem Cesar Souza é engenheiro elétrico, mestre em Engenharia Mecânica, doutor e pós-doutor em Planejamento de Sistemas Energéticos, professor na UFAm e Unicamp. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. A Amazônia como nova fronteira de OG, riqueza e riscos Em 2025, o Amazonas foi o quarto maior destino de royalties do país e a tendência é de crescimento dessa receita em toda a região. Contudo, sem mecanismos de transparência, fundos anticíclicos e governança sólida, a região corre o risco de repetir padrões de dependência fiscal observados em outras partes do país. A Amazônia, frequentemente chamada de “pulmão do mundo”, avança silenciosamente para se tornar uma das grandes produtoras globais de petróleo e gás. Entre 2022 e 2024, quase um quinto das descobertas mundiais de petróleo e gás ocorreu na região, concentradas entre Guiana e Suriname mas com grandes perspectivas na costa brasileira entre o Maranhão e o Amapá. Na França, continua o debate no Senado sobre a possibilidade da Guiana francesa vir a reabrir seu mar à exploração de OG. Essa corrida pelo petróleo amazônico traz consigo desafios socioambientais sem precedentes, mas também potenciais ganhos econômicos e sociais que seduzem governos, empresas e investidores. A pergunta que paira é: é possível extrair petróleo e gás natural na Amazônia de forma sustentável? Consciente dos riscos, a indústria petrolífera apresenta argumentos robustos para justificar sua expansão na Amazônia. Vejamos: 1. Receitas públicas e fortalecimento econômico A Margem Equatorial atrai gigantes como ExxonMobil, Chevron, CNPC e Petrobras e pode gerar dezenas de bilhões de dólares em royalties, participações especiais e novos investimentos públicos. A costa amazônica foi apontada como “área de expansão petroleira” após leilões recentes, aumentando o interesse do mercado global. Para municípios pobres da região, isso pode significar o aumento de arrecadação, obras de infraestrutura e a expansão de serviços públicos essenciais. A Amazônia brasileira, embora não seja hoje o centro da produção nacional de petróleo, recebe valores significativos de royalties oriundos da atividade no Polo Arara/Urucu, no Amazonas, e em breve poderá as parcelas que hoje já recebem o Amapá e o Pará, caso a nova fronteira exploratória da Margem Equatorial gere resultados. Em 2025, o Amazonas recebeu R$ 270,97 milhões em royalties, consolidando-se como o quarto maior beneficiário do país naquele ano. O valor arrecado por 30 dos 62 municípios foi da ordem de R$ 158,7 milhões, sendo que 97,52% desse total ficou concentrado em somente 12 municípios. Do valor arrecado pelos doze aproximadamente 64,95% ficou concentrado nos municípios de Coari (49,45%, Tefé (6,79%), Manicoré (4,36%) e São Paulo de Olivença (4,35%). Tais valores reforçam a dependência local desses repasses para financiar serviços públicos essenciais. Além do Amazonas, estados amazônicos costeiros, como o Amapá, se projetam como futuros grandes recebedores de royalties, caso haja produção comercial na Foz do Amazonas. Estudos apontam que o estado poderia ver uma alta de até 62% no PIB estadual em função das receitas petrolíferas, caso os projetos offshore avancem. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/a-amazonia-como-a-novafronteira-de-og-riqueza-e-riscos

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