Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 77 Apoio Segundo o gerente executivo de Terra e Águas Rasas da empresa, Stênio Galvão, os recursos aprovados no Plano de Negócios 2026-2030 para a região incluem a perfuração de 22 poços em Urucu e comercialização GNL small scale da produção do campo O executivo destacou que a estocagem funciona como uma espécie de “caleidoscópio” de oportunidades, atendendo diferentes necessidades da cadeia. Para produtores de gás associado, por exemplo, a ferramenta pode atuar como mecanismo de balanceamento operacional. Já para comercializadores, abre espaço para arbitragem e gestão de risco. No setor elétrico, surge como alternativa para garantir suprimento às térmicas que dão suporte à expansão das fontes renováveis intermitentes. A Europa como espelho A TAG, empresa de transporte de gás que tem entre seus acionistas a Engie, grupo com quase 70 anos de experiência em estocagem na Europa, trouxe ao debate uma perspectiva que ilumina a dimensão do que ainda falta ao Brasil. Ovidio Quintana, diretor Comercial e Regulatório da TAG, revelou que a companhia opera hoje 21 ativos de estocagem na Europa, distribuídos entre Inglaterra, Alemanha e França, com capacidade conjunta de 12,2 bilhões de metros cúbicos de gás. Se todos fossem acionados simultaneamente, poderiam retirar 300 milhões de metros cúbicos por dia, o equivalente a seis ou sete vezes o volume máximo de consumo do Brasil sem despacho termoelétrico. O contraste com o Brasil não poderia ser mais revelador. “Um colega do setor me perguntou, quando viu que o mercado estava abrindo no Brasil: como é que vocês abriram o mercado sem estocagem de gás natural?”, relatou Quintana. “Chega a ser impensável para eles que isso pudesse acontecer”. Os números internacionais reforçam o argumento. Os Estados Unidos contam com 130 bilhões de metros cúbicos de capacidade de estocagem para um consumo de 2,5 bilhões por dia. A China, que até recentemente não tinha nada, já acumula 31 bilhões de metros cúbicos. O Brasil, segundo Celso Silva, CEO da GBS, teria espaço para desenvolver entre 2 e 3 bilhões de metros cúbicos, considerando que os terminais de GNL já oferecem cerca de 700 milhões.
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