e-revista Brasil Energia 503

80 Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 Especial Bahia Oil & Gas Energy Eduardo Aragon, CEO da Brainmarket, traçou um panorama dos investimentos que transformam o menor estado da Federação em um novo polo de óleo e gás no Nordeste. O protagonista é o Projeto Sergipe Águas Profundas (Seap), cujo marco mais imediato acontece nesta sexta-feira (29/5): o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará em Aracaju para anunciar investimentos superiores a R$72,5 bilhões no estado, com a assinatura do contrato dos dois FPSOs do projeto — a P-81 (Seap 1) e a P-87 (Seap 2) — junto à SBM Offshore, e a geração prevista de 28 mil empregos diretos e indiretos. Os números do Seap impressionam para um estado de dimensões reduzidas. Os dois navios-plataforma têm capacidade conjunta para 240 mil barris de óleo por dia e 22 milhões de metros cúbicos de gás, volume que será escoado por 124 km de dutos submarinos e mais 22 km em terra, com interligação à malha da TAG. “Sergipe vai sair de pouco mais de 20 mil barris por dia para cerca de 240 mil barris por dia. É uma transformação gigantesca para o menor estado da Federação”, destacou Aragon. Para ele, o gás natural produzido pelo Seap representa uma oportunidade estratégica que vai muito além da exportação pela malha de dutos. “A ideia é atrair um polo gás-químico, um polo gás-fertilizantes para o consumo desse gás na região”, disse. O executivo também destacou o descomissionamento das antigas plataformas fixas de águas rasas do litoral sergipano - muitas delas com mais de 40 anos de operação - como um vetor adicional de negócios, dada a complexidade e o volume de serviços envolvidos. “Descomissionamento talvez seja hoje uma das atividades mais complexas da engenharia offshore. Envolve desde mergulho até logística pesada, descontaminação e reciclagem de estruturas”, explicou. Aragon chamou atenção, porém, para um gargalo que pode limitar o aproveitamento desta janela de oportunidades: a qualificação da mão de obra regional. “Você imagina isso que está acontecendo em Sergipe e o que vai gerar de oportunidade. Se a gente não qualificar a mão de obra, não qualificar a empresa, o que vai acontecer? Vai vir um prato pronto? Não vou gerar riqueza para a região?”, questionou. O painel também contou com a participação de Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), e Glauco Nader, CEO da Dinamus. O Bahia Oil & Gas Energy está em sua quarta edição e acontece no Centro de Convenções Salvador até esta sexta-feira. n VEJA MAIS SOBRE O BOGE 2026 EM BRASILENERGIA.COM.BR Segurança energética recoloca América Latina no radar global Tenaris expande modelo Rig Direct no Brasil e se estrutura para o boom do offshore e onshore MDC Energia expande matriz de biometano e ativa projeto de logística de gás na Bahia Etep transforma estratégia para atender novas operadoras e anuncia manufatura 3D

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