Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 79 Apoio Amapá), distribuídos em cinco bacias sedimentares. A área é uma vez e meia maior do que as bacias do Sudeste (Campos, Santos e Espírito Santo) somadas. Mas os números de exploração revelam um desequilíbrio gritante: das 793 perfurações offshore realizadas no Brasil desde a criação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 1998, 81% estão concentradas nas três bacias do Sudeste. A Margem Equatorial responde por apenas 6%, ou seja, 47 poços. A bacia do Espírito Santo, sozinha, acumula 102 poços perfurados, mais que o dobro de toda a Margem Equatorial. Na bacia do Pará-Maranhão, o cenário é ainda mais extremo: apenas um poço foi perfurado em mais de 28 anos. E esse único poço resultou em uma descoberta. “A Petrobras perfurou um poço e teve sucesso nele. A questão é conseguir licenciamento para perfurar os demais”, disse Anderson Oliveira. “São mais de 700 poços perfurados sem nenhum acidente. Esse histórico precisa ter peso”, declarou. No centro das atenções está o poço Morpho, batizado em homenagem à borboleta sul-americana de asas azul-metálicas. Perfurado na bacia da Foz do Amazonas, a 2.800 metros de lâmina d’água e a 175 quilômetros do ponto mais próximo da costa, o poço é descrito como “praticamente o mais importante da América do Sul”, um pioneiro em uma área de fronteira exploratória para a qual a Petrobras levou 12 anos e investiu mais de R$ 1 bilhão até obter a licença de operação. “Morpho é um poço que traz um ganho gigantesco de conhecimento geológico e operacional. Se houver descoberta de óleo, podemos estar diante de uma nova província petrolífera”, afirmou. O executivo também reforçou o argumento de que o petróleo brasileiro possui baixa pegada de carbono em comparação a outros grandes produtores mundiais. O plano de negócios 2026-2030 da Petrobras prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões para a perfuração de mais 15 poços em águas ultraprofundas na Margem Equatorial, número que praticamente dobrará o acumulado histórico de 14 poços perfurados. A referência da Guiana não foi esquecida: desde a histórica descoberta do poço Liza-1 pela ExxonMobil, em 2015, o país vizinho acumulou 63 descobertas, reservas de 11 bilhões de barris e uma produção diária que já ultrapassa 920 mil barris. Tudo em menos de uma década. O PIB do país deu um salto gigantesco. “Vocês imaginam se tivéssemos duas Guianas aqui na Margem Equatorial. Os impactos seriam tremendos”, projetou o executivo. Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP) Se a Margem Equatorial é a fronteira do amanhã, Sergipe já é a realidade de hoje. Bahiagás avança no interior com inauguração do Gasoduto Sudoeste e acelera projetos de biometano Qualidade dos dados vira peça-chave para o futuro do onshore brasileiro Tecnofink celebra 33 anos com foco em IA e internacionalização Expro elege o Brasil como foco global e expande infraestrutura
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