Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 85 A cogeração de energia já representa cerca de 10,1% da matriz elétrica brasileira, operando com mais de 22 GW de capacidade instalada e um diferencial de destaque: enquanto no resto do mundo a atividade é 85% baseada em combustíveis fósseis, no Brasil ela é 85% renovável, impulsionada principalmente pelo setor sucroenergético e pela indústria de papel e celulose. Para debater as perspectivas e os gargalos da atividade, o programa As Lideranças Empresariais, série de entrevistas com dirigentes das principais entidades setoriais, recebeu Newton Duarte, presidente executivo da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen). Durante a entrevista, Duarte ressaltou o papel estratégico da cogeração como uma verdadeira ferramenta de backup para o país, capaz de garantir resiliência ao Sistema Interligado Nacional (SIN) em momentos de estresse hídrico e diante da intermitência de fontes como a solar e a eólica. O executivo defendeu a inclusão das biomassas e do etanol nos Leilões de Reserva de Capacidade de Potência (LRCAP) e apontou o elevado preço do gás natural como o principal entrave para a expansão da modalidade na indústria brasileira, sugerindo negociações com a Petrobras para viabilizar tarifas competitivas que destravem novos projetos. Segundo Duarte, estudos encomendados pela associação junto à indúsCogen propõe mais espaço para a cogeração no planejamento energético Presidente da associação, Newton Duarte destaca a resiliência da fonte para o setor elétrico, defende a inclusão em leilões de potência e pede novo olhar da Petrobras para a competitividade do gás | POR ROSELY MAXIMO |
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