e-revista Brasil Energia 503

86 Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 As Lideranças Empresariais Newton Duarte, Cogen tria mostram potencial para consumo de mais de 40 milhões de m3/dia de gás natural. Veja os principais pontos da entrevista: Eficiência e Renováveis no Topo: A cogeração atinge níveis de eficiência superiores a 90% (contra 40% a 60% das térmicas convencionais). O Brasil se destaca globalmente por ter uma base majoritariamente renovável, liderada pelo uso do bagaço da cana-de-açúcar e resíduos de papel e celulose. Segurança Hídrica do Sistema: A energia exportada pela cogeração ajuda a preservar cerca de 16 pontos percentuais dos reservatórios das hidrelétricas no Centro-Sul durante os períodos de seca, evitando riscos severos de desabastecimento. Crítica aos Leilões de Potência: A Cogen lamenta a exclusão da biomassa, do biogás e do etanol do último leilão de reserva de capacidade. A entidade argumenta que essas fontes oferecem potência firme, limpa e com rápida resposta de acionamento a custos inferiores aos do diesel, que acabou sendo contratado a valores altos no certame. O Desafio do Gás Natural e o Preço Ideal: O custo do gás no Brasil chega a ser três vezes maior do que nos Estados Unidos (atingindo cerca de US$ 15 por milhão de BTU), inviabilizando diversos projetos. Duarte destaca que um valor palatável para destravar o crescimento da cogeração seria em torno de US$ 8 a US$ 8,50 por milhão de BTU. Para viabilizar essa competitividade, a Cogen propõe que a Petrobras crie um modelo de fornecimento específico (“carimbado”), aproveitando o gás excedente do pré-sal. Data Centers como Nova Fronteira: A explosão na construção de data centers, somada à incapacidade imediata das distribuidoras de entregar altos volumes de energia, está criando um novo mercado para a instalação rápida de módulos de cogeração a gás natural. Impulso do Biometano: A Lei do Combustível do Futuro, que estabelece um mandato inicial de 1% de biometano a partir de 2026, é vista como um divisor de águas. O aproveitamento de resíduos como a vinhaça permitirá às usinas substituir o diesel de suas frotas e injetar biometano diretamente na rede das distribuidoras. Recado ao Próximo Governo: Duarte finaliza pedindo que os presidenciáveis não releguem a cogeração a uma terceira prioridade. A recomendação é apostar nas “vocações” energéticas do Brasil (biomassa, etanol e hidroeletricidade) em vez de apenas importar modelos que dependem inteiramente de fontes intermitentes sem o backup adequado. Assista a entrevista na íntegra aqui:

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