e-revista Brasil Energia 503

88 Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 biocombustíveis dução nacional”, explica Silvio Rangel, presidente do Bioind-MT, entidade que representa 12 indústrias de bioenergia de Mato Grosso, e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt). “Além de fortalecer a segurança energética e a economia do país, o setor se posiciona como estratégico para o futuro da descarbonização dos transportes, com potencial crescente no fornecimento de combustíveis renováveis para aviação e navegação marítima”, complementa Rangel. Segundo o levantamento, a safra 2025/26 deverá terminar com crescimento de 8,52% na produção estadual de etanol, alcançando 7,27 milhões de m3, enquanto a produção nacional deverá permanecer praticamente estável, com alta de 0,22%. O desempenho mantém Mato Grosso na segunda posição do ranking brasileiro de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo. Na safra atual, a produção de etanol de milho deverá atingir 6,18 milhões de m3, o que representa um crescimento de 9,89% em relação ao ciclo anterior. Já o etanol de cana-de-açúcar deve alcançar 1,09 milhão de m3, crescimento de 1,37%. Para 2026/27, a expectativa é de aceleração ainda maior do etanol de milho no MT. A produção deverá avançar 18,67%, chegando a 7,33 milhões de m3, enquanto o etanol de cana deverá crescer 1,42%, atingindo 1,11 milhão de m3. “O levantamento mostra que Mato Grosso segue ampliando sua relevância estratégica para a matriz energética brasileira. O crescimento do etanol de milho demonstra a capacidade de integração entre produção agrícola, indústria e geração de energia renovável”, afirma Rangel. O estudo também destaca a expansão da moagem de milho destinada à produção de etanol. Na safra 2025/26, o volume processado deverá atingir 13,81 milhões de toneladas, alta de 10,45%. Para 2026/27, a projeção é de crescimento de 18,52%, alcançando 16,36 milhões de toneladas, com a contribuição da operação de duas novas plantas industriais no estado. As projeções de longo prazo do levantamento indicam continuidade da expansão da indústria de biocombustíveis no estado. Segundo o Imea, Mato Grosso poderá produzir 15,02 milhões de m3 de etanol até 2033/34, mais que o dobro do volume estimado para a safra atual. “O setor de bioenergia em Mato Grosso vem ampliando sua participação não apenas na produção de combustíveis renováveis, mas também na geração de coprodutos para nutrição animal, óleo vegetal, bioenergia e créditos de descarbonização, consolidando uma cadeia industrial de grande relevância econômica para o estado”, afirma Cleiton Gauer, superintendente do IMEA. O levantamento também destaca a contribuição ambiental do setor. Segundo o estudo, os Créditos de Descarbonização (CBIOs), já representaram mitigação equivalente a 189,64 milhões de toneladas de CO2 desde o início do programa, sendo 40,06 milhões apenas em 2025. Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS. n

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