Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 89 Osmani Pontes é economista, com MBA em mercados de derivativos, opções e futuros pelo Insper e em gestão de portfólios cambiais pela EPGE/FGV. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Osmani Pontes Pagamentos de petróleo por trás da Guerra no Irã A dinâmica não é tão simples como o senso comum imagina. As transações de petróleo entre China e Irã não espelham os fluxos do balanço de pagamentos Na virada de 2025 para 2026 a crise no Irã e seus impactos nos preços do petróleo começaram a chamar atenção do mundo. A inflação no país em 2025 havia sido de 35%, sendo de 45% ao mês só em dezembro, quando anualizou a 52%. A taxa de câmbio do rial depreciou mais de 60% denotando um típico caso de hiperinflação. As reservas do Banco Central rapidamente se esgotaram, já que o país operara um sistema múltiplo de câmbio com uma taxa fixa para importadores, uma levemente flutuante para exportadores e outra paralela mais fortemente depreciada. Diante desse cenário, o BC do Irã optou pela unificação das taxas que convergiram para a mais alta, desencadeando nova onda inflacionária e desabastecimento por conta da abrupta redução das importações. Um argumento usual entre analistas e economistas apontava para um clássico choque de balanço de pagamentos devido à redução das importações chinesas do petróleo iraniano que estariam temendo sanções ocidentais. No entanto, a dinâmica não é tão simples como o senso comum imagina e as transações de petróleo entre China e Irã não espelham os fluxos do balanço de pagamentos, não determinando diretamente os movimentos na taxa de câmbio. É importante destrinchar a dinâmica entre Irã e China para mensurarmos quais possíveis cenários para o preço do petróleo que depende menos das tensões correntes do que parece. Atualmente, cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia saem do Irã rumo às refinarias teapots de Shandong. São transportados pela frota negra iraniana que faz a entrega no esquema navio a navio. Essas refinarias operam sob margens mínimas determinadas por reguladores que observam critérios técnicos de capacidade instalada e metas ambientais. Os barris são etiquetados como originários do Omã, mais baratos, e há um ganha-ganha em que os chineses pagam menos e os iranianos vendem um óleo que não teria outra demanda. O pagamento também não é convencional. As refinarias depositam o valor da compra em renminbi na Chuxin, a câmara de compensações do governo chinês, e o recurso é acessado pelas estatais de construção civil chinesas que, em troca, promovem grandes obras de infraestrutura no Irã nos setores de energia, transporte e construção civil, garantindo desenvolvimento ao regime dos aiatolás. Esse modelo está sob risco, em primeiro lugar porque as estatais chinesas acessam contratos de seguro junto à Sinosure, a estatal chinesa de seguros, que por sua vez faz o resseguro nos mercados de seguros da Europa, sujeitos às sanções americanas. Mas antes mesmo de essa possibilidade se configurar um risco real, o ponto central da questão reside no próprio setor de petróleo. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/o-problema-dos-pagamentosde-petroleo-por-tras-da-guerra-no-ira
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