10 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 entrevista Pietro Mendes e Luciano Lobo Lobo - Sim. A gente tem a gestão muito próxima. Tem o plano de trabalho exploratório, em que a operadora descreve o que vai fazer no ano seguinte. Mas, como não tem punição, é declaratório… A Elysian coloca lá que vai fazer poço, vai fazer sísmica. Não existe hoje um instrumento para punir a empresa que falou que ia fazer um poço e não executou. O que tem é o programa exploratório de cinco a sete anos. A empresa tem que realizar as atividades nesse período e ponto. A ANP costumava levantar informações sobre novas fronteiras para disponibilizar ao mercado e diminuir o risco nos leilões. Como está isso nessa fase de limitação orçamentária? Pietro - Há muitos anos a ANP não contrata empresas para levantar informações. A gente já chegou a ter, em 2013, em valores corrigidos, o equivalente a R$ 800 milhões. Atualmente, com o bloqueio de 18% (do orçamento da agência), está em torno de R$ 160 milhões. Nem comporta, no orçamento da ANP, fazer esse tipo de avaliação. Esse era um atrativo para as licitações. Mendes - Tenho uma visão diferente. Muitas vezes, esses levantamentos não estão tão aderentes às técnicas que o setor privado está adotando naquele momento. O dado pode não ser tão atrativo para a tomada de decisão. É bom ter mais dados, mas não necessariamente há uma correlação imediata. O que as empresas podem fazer imediatamente para acelerar a atividade exploratória? Mendes - Há uma questão conjuntural. Até o conflito dos Estados Unidos e Israel com o Irã, as empresas, no mundo inteiro, apontavam dificuldade de manutenção dos projetos. O barril do Brent estava a US$ 60. Fica muito mais difícil aprovar investimentos. Esse cenário mudou muito. Chegou a ter um pico de US$ 144, em função do conflito. Agora, teve uma redução. Mas é fato que o primeiro fator que eu vejo é a relação entre os preços baixos do Brent e a decisão de investimento. O mercado está sobreofertado. Então, existe uma dificuldade de aprovação de projetos num cenário como esse, ainda mais de extrema volatilidade. O segundo aspecto é que há novas áreas sendo abertas no mundo. Há uma competição por recursos. Algumas dificuldades que nós temos, em especial no licenciamento ambiental, adicionam risco à tomada de investimento aqui. Agora, a gente está ainda com a concorrência da Venezuela, que passou a receber investimento com a intervenção dos Estados Unidos. Nós temos uma democracia consolidada, uma tradição de respeito a contratos, instituições bem estabelecidas, mas é fato que é mais fácil investir em outros países do que no Brasil. Você vê essa fotografia com preocupação? Mendes - Principalmente porque o pré-sal vai acabar. Precisamos de novas reservas. Se não, o Brasil vai ter que importar petróleo. Esse cenário é bem ruim, ainda mais sob um olhar geopolítico. n
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