14 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 Especial de Capa Inovação A introdução de tecnologias digitais em operações já consagradas com processos mecânicos e analógicos impõe desafios enormes para uma indústria de O&G. Não se trata apenas de introduzir novas tecnologias, mas de tornar essas tecnologias o padrão operacional. Um ainda expressivo contingente da força de trabalho, acostumado a trabalhar e confiar durante anos em processos mais físicos que digitais, reluta algumas vezes em adotar novas tecnologias. Nem tanto por não ter costume de lidar com tecnologias digitais em sua vida pessoal, mas pela rapidez com que tecnologias digitais evoluem e porque, no fundo, Segurança Operacional na indústria de petróleo precisa ser exaustivamente testada para evitar riscos, assim como no transporte aéreo. Para Melissa Fernandez, gerente de Inovação e Tecnologia do IBP, um dos principais gargalos do setor está relacionado à infraestrutura de dados: “Muitas empresas ainda enfrentam limitações na coleta, integração e processamento de dados em tempo real, um ponto essencial para aplicações mais sofisticadas de inteligência artificial [IA], machine learning e automação operacional,” disse à Brasil Energia. Permanecem também desafios ligados à integridade de ativos, corrosão em ambientes offshore, controle de incrustações e monitoramento contínuo de equipamentos críticos. “O setor vem buscando soluções mais avançadas para esses temas, incorporando simulação digital, manutenção preditiva e monitoramento inteligente das operações,” afirmou Fernandez. Não à toa uma das tecnologias que mais vem ganhando espaço são os chamados gêmeos digitais, que criam réplicas virtuais de ativos e processos industriais para monitoramento contínuo, simulação de cenários e manutenção preditiva. Outra frente importante envolve o uso de modelos avançados de IA, como redes neurais informadas por física, capazes de simular processos complexos em reservatórios e sistemas de produção com maior velocidade e precisão. Em paralelo, há avanços na automação operacional, incluindo sistemas inteligentes de perfuração, sensores conectados e inspeções realizadas por veículos submarinos autônomos e drones, ampliando a segurança e confiabilidade em ambientes offshore. A gerente do IBP também destacou a necessidade de conciliar competitividade com sustenQuem é fonte nesta matéria MELISSA FERNANDEZ, gerente de Inovação e Tecnologia do IBP MARIA ASSUNÇÃO DORIA, gerente executiva de Reservatórios da Petrobras MARCELO CASTRO, diretor do Centro de Estudos de Energia e Petróleo da Unicamp (Cepetro) CEZAR AUGUSTO SIQUEIRA,, gerente-geral de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Cenpes / Petrobras
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