e-revista Brasil Energia 504

20 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 Especial de Capa Inovação ria de equipamentos voltados à descarbonização de operações. No Rio Grande do Sul, o Ecovix – que teve, no passado, sociedade com um consórcio japonês liderado pelo Mitsubishi Heavy Industries (MHI) – está construindo cinco gaseiros para a Transpetro com propulsão dual fuel projetada pela multinacional espanhola Ghenova. Eles serão capazes de operar com combustíveis mais limpos e terão maior eficiência energética, contando com dispositivos de economia de energia. Já o Jurong, no Espírito Santo, e o Brasfels, no Rio de Janeiro – ambos do grupo cingapuriano Seatrium – constroem para a Petrobras os módulos dos FPSOs P-84 e P-85, que serão do tipo “all electric”, reduzindo em 30% a intensidade de emissões de gases de efeito estufa por barril produzido. Por sua vez, o Estaleiro Enseada, na Bahia, que conta com tecnologia sul-coreana, do grupo Kawasaki Heavy Industries, recebeu, no ano passado, uma encomenda da Petrobras para construir seis embarcações de apoio offshore com motorização híbrida e menor pegada de carbono. A incorporação de soluções vindas da China também está sendo considerada, de acordo com o SInaval. Em 2025, executivos de estaleiros do país asiático visitaram o Brasil a fim de discutir parcerias. “Estamos esperando os editais de novos FPSOs para dar um passo a mais nesse sentido,” pontuou Azeredo, para quem o Brasil segue competitivo na fabricação e integração de módulos para o topside dos navios-plataforma. Na avaliação do presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (Abespetro), Telmo Ghiorzi, o país tem potencial para ampliar a produção de módulos de processamento primário, responsáveis pela separação inicial de óleo, gás e água. “Também poderíamos fabricar módulos de tratamento de água produzida e equipamentos para sistemas de injeção de água,” disse à Brasil Energia, citando o caso das unidades de remoção de sulfato e água de injeção (SRUs). Equipamentos que compõem os módulos, como bombas, válvulas, vasos de pressão, separadores, trocadores de calor e tubulações já foram produzidos em larga escala no Brasil, mas enfrentam, hoje, concorrência asiática. Ghiorzi lamenta que a cadeia produtiva de petróleo não tenha sido incluída na Nova Indústria Brasil (NIB), política de reindustrialização do Governo Federal. Para ele, o país tem de desviar parte do foco na exportação da commodity (óleo cru) para bens acabaQuem é fonte nesta matéria JOÃO AZEREDO, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) TELMO GHIORZI, presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (Abespetro) ELIAS RAMOS, diretor de inovação da Finep

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