e-revista Brasil Energia 504

36 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 As Lideranças Empresariais Luiz Césio Caetano, Firjan Indústria naval e descomissionamento: O Rio de Janeiro possui capacidade instalada para atender às novas demandas da indústria naval — reparo, manutenção, integração de módulos e, agora, descomissionamento de plataformas. A Firjan trabalha junto à Secretaria de Fazenda estadual para viabilizar a integração de módulos no próprio estado, atividade que representa cerca de 15% do valor de investimento em um FPSO. Margem Equatorial e exportação de conhecimento: A federação mantém convênios de cooperação técnica com estados do Amapá, Pará e Maranhão para compartilhar o modelo fluminense de desenvolvimento da cadeia de O&G. A perspectiva é que fornecedores do Rio atuem na Margem Equatorial nas mesmas frentes em que já operam nas bacias de Campos e Santos, à medida que a exploração naquela região avançar. Gás natural com mais acesso: O Rio produz muito mais gás do que entrega ao mercado, mas a indústria ainda enfrenta barreiras regulatórias, infraestrutura insuficiente de redes, custo elevado da molécula e ausência de um mercado livre de gás plenamente funcional no estado — fatores que reduzem a competitividade e afastam novos investidores industriais. Royalties e constitucionalidade: A Firjan acompanha o julgamento suspenso no STF sobre a redistribuição de royalties e participações governamentais. Na avaliação de Caetano, os royalties não são tributos, mas compensações constitucionais pelos riscos ambientais e operacionais assumidos pelos estados produtores. Ele lembra ainda que o Rio já transfere cerca de R$ 64 bilhões por ano em ICMS para estados não produtores, via recolhimento no destino do petróleo processado. Formação de mão de obra para O&G: O Senai do Rio de Janeiro coordena nacionalmente o programa Autonomia e Renda da Petrobras, que já qualificou quase 13 mil pessoas em cerca de oito estados. Outra iniciativa, a Universidade Corporativa em parceria com a Petrobras, capacitou mais de 10 mil profissionais. A Firjan mantém portfólio atualizado de cursos e certificações por meio de comitê setorial permanente de escuta da indústria. Diversificação energética: Caetano vê o futuro energético do Rio como um modelo de integração, não de substituição. Biocombustíveis, energia nuclear e eólica devem se somar ao petróleo e ao gás, e não competir com eles. O petróleo permanece como ativo estratégico — não apenas como insumo, mas como multiplicador de riqueza e indutor de inovação tecnológica. Assista a entrevista na íntegra aqui:

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