Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 49 O aproveitamento do metano de origem fóssil (gás natural) ou biológica (biometano) ainda é pouco explorado no Brasil. Como avançar e contornar esses desafios de forma econômica e tornar o gás o combustível do futuro no Brasil? Gás Natural e Biometano, oportunidades que o país não pode perder Coautores: Kazumi Miura, Cristiane Alkmin J. Schmidt e Bruno Leonel Segundo a IEA, o gás natural responde hoje por 23% da matriz energética mundial, sendo a terceira fonte de maior relevância, abaixo apenas do petróleo e do carvão mineral. O mundo tem reservas de gás natural próximas aos 190 trilhões de m3 nos reservatórios convencionais, equivalente em energia a, aproximadamente, 70% das reservas mundiais de petróleo. Mas além das reservas convencionais, há outros 200 trilhões de m3 em reservas provadas não convencionais de shale gas e tight gas. Os treze maiores países-produtores detêm 80% das reservas mundiais e, entre esses, Rússia, Irã e Catar abrigam metade de todas as reservas provadas de gás do mundo. Moçambique, país que fecha a lista dos 13 maiores, realizou grandes descobertas recentemente, mas ainda não conseguiu transformar suas reservas em produção por dificuldades operacionais e políticas locais. Entre os maiores produtores, o gás não associado é o de maior ocorrência, diferentemente da geologia no Brasil, onde as reservas de gás associado predominam, principalmente nos campos offshore das bacias de Campos e Santos. Panorama no Brasil No Brasil, o gás natural tem pouca participação na matriz energética, refletindo as dificuldades de infraestruturas de escoamento do gás offshore. Ainda assim, mesmo com pequenas reservas, a produção é bem superior ao consumo. Em dezembro de 2025, a produção brasileira de gás natural ultrapassou 194 milhões de m3/dia, tendo o estado do Rio de Janeiro participado com quase 80% desse total, sendo que a maior parte do gás associado produzido é reinjetado de volta nos reservatórios. O consumo de gás no Brasil superou a marca de 66 milhões m3/ dia em 2024, segundo dados do boletim mensal da Secretaria do MME, sendo 46 milhões de m3/dia via oferta interna e o restante importado, da Bolívia ou por terminais de GNL. Esta diferença entre a produção e a efetiva comercialização (demanda) do gás natural evidencia o desafio no aumento da disponibilidade do gás oriundo de campos em águas profundas. Atualmente mais de 100 milhões m3/dia são reinjetados em todo o país. Fonte: ANP – Produção brasileira de petróleo e de gás natural em dez/2025 Distribuição da produção de petróleo e gás natural por estado (Dez/25) José Almeida dos Santos, geólogoUFRJ, é consultor na área de energia. Escreve na Brasil Energia mensalmente. José Almeida
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