50 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 José Almeida (continuação) Fonte: Poder 360 Não há dúvidas de que o gás natural é o “combustível fóssil do futuro”, por emitir menos GEE do que o diesel e o carvão, especialmente se combinado com o biometano. Cada país tem um uso diferente deste gás, mas a troca de diesel e, principalmente, do carvão por gás natural é uma tendência mundial. No Brasil, apesar dos desafios de aumento do consumo de gás natural produzido, há uma perspectiva relevante na demanda do transporte automotivo pesado, visto que o Brasil é importador de diesel e tem mais de 2,2 milhões de caminhões ativos e mais de 400 mil ônibus. Hoje, o consumo automotivo é ainda concentrado em cidades servidas por gasodutos e praticamente atende veículos leves com motores ciclo Otto, que podem ser convertidos para o consumo de gás natural. O futuro, no entanto, parece estar se desenhando pelos corredores sustentáveis (rodovias com postos de GNV e GNL) e na troca do diesel pelo gás natural da frota pesada. Estudo da Anfavea prevê uma demanda de 8 a 11 milhões de m3/dia de gás natural no transporte pesado, em 2040, um salto significativo em relação aos 120 mil m3/dia registrados em 2023. Esse aumento do consumo não deverá vir dos veículos pesados circulantes, onde a conversão é mais complexa, mas da fabricação de veículos com motores adaptados. Gás e Biometano complementares No caso do biometano, o panorama também é animador. Em 2015, segundo o CIBiogas, havia no país apenas 200 plantas de biogás e, em 2025, esse número já alcançou 2.000 plantas, usando como fontes os resíduos de aterros (65%), da indústria (20%) e da agropecuária (15%). Do biogás produzido, 60% são utilizados na geração de energia elétrica, 5% em energia térmica (5%) e 35% são purificados para biometano. Ainda que o biometano esteja sendo comercializado em pequena escala (300 mil m3/dia, segundo a ANP), o CIBiogas informa que, da produção de biogás em 2025 (14 milhões de m3/dia), cerca de 5 milhões m3/dia foram convertidos em biometano, mormente para consumo próprio. Esse grande potencial concentra-se especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste (85% das plantas de biogás do Brasil), mas novos projetos estão surgindo em quase todos os estados brasileiros. Biometano e gás natural fóssil não devem ser compreendidos como concorrentes, mas como ativos complementares, dentro de uma mesma estratégia de transição energética e de desenvolvimento do mercado de gás no Brasil. No
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