Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 51 contexto da cana, a produção de biometano ocorre prioritariamente durante o período de safra, quando há maior disponibilidade de vinhaça, torta de filtro e outros resíduos orgânicos. Já nas entressafras, quando essa oferta se reduz de forma significativa, o gás natural fóssil pode ocupar o espaço, garantindo continuidade no suprimento, estabilidade operacional e previsibilidade econômica para os consumidores finais e para os investimentos em infraestrutura. Essa dinâmica demonstra que o biometano tem expressivo potencial, especialmente em novas regiões e aplicações, enquanto o gás natural fóssil viabiliza a perenidade desse mercado ao longo do ano, evitando descontinuidades que poderiam comprometer a confiança dos usuários e dos financiadores. O que é preciso ser feito Dificuldades a parte, o planejamento para o aumento do consumo de gás natural e biometano no Brasil passa pelas seguintes premissas. Expansão da rede – A rede de gasodutos é muita concentrada e pouco atende o país em toda sua extensão. A EPE calcula que a capacidade de gasodutos existentes é superior a 100 milhões de m3/dia, o que em tese atende o consumo atual. Porém, sem um sistema de gasodutos servindo boa parte das grandes cidades brasileiras, o país vai continuar consumindo diesel em sua frota de transportes e a economia continuará refletindo as oscilações de preço e fornecimento do diesel importado. Portanto, expandir a rede de gasodutos, mesmo de baixa pressão, é fundamental para diminuir a dependência do diesel. Estruturas de armazenamento – O Brasil possui 13 plantas de processamento de gás com capacidade de mais de 100 milhões de m3/ dia de processamento, 1.633 plantas de biogás e em torno de 79 plantas de biometano, entre operacionais e em processo de autorização. Há, portanto, capacidade de tratamento e processamento de gás muito acima do consumo atual. Essa é uma vantagem importante para a expansão do consumo de gás sem novos investimentos. Gás nas estradas – A garantia de gás nos postos das principais estradas, oferecido a preços competitivos, pode contribuir significativamente para a redução do uso do diesel na frota de pesados. Em suma, o mundo já tem claro que o gás natural faz parte da transição energética e, no caso brasileiro, abundante em biogás, esta transição conjuga gás natural e biometano. Para o Brasil avançar nesta direção, contudo, entende-se que sem a construção de mais gasodutos (escoamento, transporte e distribuição), sem a construção de armazenamentos e sem políticas para a frota pesada com postos de GNV e GNL nas rodovias, será difícil avançar. *Turquestão (Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguistão e Tajiquistão) Fonte: IEA - Reservas provadas e a Produção de gás natural no mundo
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